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Organizações independentes acolhem LGBTs expulsos de casa

Projetos de Pernambuco e Rio de Janeiro inovam no acolhimento de homossexuais e transgêneros

Isaque Costa

Quando o assunto é sobre a comunidade LGBT, as estatísticas são sempre alarmantes. Segundo o Grupo Gay da Bahia (GGB), até o início de maio de 2017, houve 117 assassinatos em decorrência da homofobia, uma morte a cada 25 horas. A associação contabilizou 343 LGBTs mortos em 2016. Indo na direção contrária desses números, os grupos Mona Migs e Casa Nem se organizam para proporcionar uma realidade menos dura para as pessoas que são expulsas de casa ou não tem as mesmas oportunidades que o restante da população, por conta de sua orientação sexual ou de gênero.

Em um evento organizado por alunos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em que jovens precisam criar uma startup, nasceu o Mona Migs. O projeto, idealizado por oito estudantes, aproxima em uma plataforma na internet, homossexuais que foram expulsos de casa e pessoas que estão dispostas a acolher. Por meio de um cadastro no site elas são conectadas de acordo com suas devidas localizações. Após um ano em versão de teste, a página que atualmente conta com quatro membros no comando, está disponível para o Brasil inteiro.

O designer e um dos fundadores do Mona Migs, Pedro Magalhães Diniz Leite diz que tem registrado 100 acolhedores e 50 pessoas que precisam de acolhimento. Mais de 30 já foram conectados, ou seja, chegaram a conversar com um acolhedor. “Todo o acordo de estadia, assim como regras dentro da casa e tempo de estadia são decididos através de conversas com o acolhido, por isso recomendamos que tenha uma conversa antes para que o acolhedor possa entender melhor a história do acolhido” explica Pedro.

No Rio de Janeiro também existe um projeto que visa diminuir as dificuldades da comunidade LGBT em conseguir direitos iguais na sociedade. É o Casa Nem, um espaço idealizado pela trans-ativista Indianara Alves Siqueira que há mais de 20 anos luta para a humanização da sociedade frente a transexualidade.

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Festa promovida na Casa Nem, no Rio de Janeiro, para arrecadação de fundos para organização .Foto:Marcelo Rocha / Mídia NINJA (CC-BY-SA)

A Casa que sobrevive de doações e festas promovidas por amigos e parceiros busca a inclusão social de jovens transgêneros através de acolhimento, aconselhamentos e atividades culturais.

 Atualmente 35 pessoas vivem na Casa Nem, e elas podem permanecer o tempo que for necessário, desde que participem das atividades promovidas pela casa. E o espaço disponibiliza várias opções, como o PreparaNem que é um pré-vestibular comunitário, preparatório para o Enem, o AlfabetizaNem para alfabetizar os moradores da Casa e o AlimentaNem, no qual os abrigados ajudam a alimentar pessoas em situação de rua.

 “A Casa Nem não visa apenas inserção no meio acadêmico e no mercado de trabalho, mas também na vida cotidiana. A maioria das trans são expulsas cedo de casa, tendo aprendido a sobreviver nas ruas.” declara Mari, colaboradora e voluntária da Casa, que preferiu não dizer o nome completo.

Segundo Mari, a Casa foi feita para os transgêneros, mas também abrigam homossexuais que foram expulsos de casa, pois quem sofre com exclusão não poderia excluir outros semelhantes.

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