Jornalismo, Prêmio ABAG/RP de Jornalismo

Interesse feminino pelo agronegócio alavanca eventos voltados às mulheres

Propagação de conhecimento, networking e representação no campo são apenas
algumas das opções oferecidas pelos organizadores

Geovana Alves

Um convite destinado ao pai de Jackeline Pereira chegou pelo correio em sua casa. Curiosa, decidiu abri-lo. Em letras destacadas e centralizadas no início da página leu “Agricultor, venha comemorar seu dia conosco!”, ficou animada, pois desde pequena interessava-se pelo mundo do agronegócio. E percorreu as informações com os olhos rápidos e atentos, até que os pousou em “Traga sua mulher, ela terá um espaço especial com maquiadores e cabeleireiros”.

Jackeline lera aquilo em 2015, mesmo ano em que metade dos quase 250 formandos da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” da Usp Piracicaba eram do sexo feminino. Também foi em 2015 que Mariana Antunes, estudante de Engenharia Agronômica, fundou o portal Mulheres em Campo, devido à inexistência de canais disseminadores de conhecimentos, ideias e histórias de mulheres que trabalham e vivem no campo.

Em pouco tempo, o portal espalhou-se pela internet com conteúdos disponíveis no Facebook, Instagram, Twitter e Linkedin, somando mais de 30.000 seguidoras que
parabenizam o Mulheres em Campo pela iniciativa. Mariana alegra-se ao mencionar
que também possuem retornos masculinos “Nós recebemos bastante apoio de empresas lideradas por homens que buscam ampliar e qualificar o quadro de funcionárias da empresa bem como buscam igualdade de gêneros.”

Juntas somos mais fortes
Mas não era suficiente para a equipe, havia necessidade de levar conhecimento e
encorajar as mulheres da região. Foi após a visita ao Congresso Nacional das
Mulheres do Agronegócio que tiveram energia e disposição para a organização do
primeiro evento do portal. Menos de um ano depois, organizaram o Workshop em
Liderança Feminina no Agronegócio na Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp Jaboticabal.

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(Apesar de ocorrer numa universidade, o workshop contou com maior participação de profissionais formadas / Foto: Divulgação)

Seguindo a temática, a programação do workshop foi estritamente feminina e as
organizadoras explicam o motivo “Escolhemos palestrantes mulheres para que as
ouvintes possam se sentir representadas, possam se identificar com as situações
vivenciadas e comentadas ali”.

Já o Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio não possui uma lista
inteiramente feminina de congressistas, porém destina uma parcela maior da
programação para elas. Cerca de 70% das palestras da edição de 2018 são realizadas por mulheres que trabalham pré-porteira, dentro da porteira e pós-porteira, o que representa 25 profissionais durante dois dias de evento, com um fluxo esperado de 8.000 pessoas.

Apesar do pioneirismo, os organizadores não tiveram problemas em captar
parceiros e hoje contam com apoio em diversos setores, incluindo imprensa e
associações, o que resulta em divulgações inéditas de pesquisas. Em 2016, por
exemplo, a Associação Brasileira do Agronegócio mostrou os resultados do estudo
“Todas as mulheres do agronegócio” que entrevistou quase 900 mulheres de todas
as regiões do Brasil entre os meses de junho e julho do ano anterior.

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(Segunda edição do CNMA ocorreu em outubro de 2017 no Transamerica Expo Center em São Paulo / Foto: Divulgação)

Outro diferencial do CNMA são os stands na área de exposição e networking, que
se assemelham ao modelo da Agrishow, há demonstrações de maquinário, testes
de softwares e difusão de novidades, enquanto ocorrem dicas de maquiagem e
vendas de jóias. Rapidamente, alguém poderia questionar sobre a diferença entre o
congresso e o evento ao qual o pai de Jackeline fora convidado, afinal, ambos
possuem as mesmas coisas, não?

A questão encontra-se antes mesmo dos convites serem enviados, isso porque a
escolha do público-alvo é necessária e ocorre antecipadamente à organização do
evento. Mas o agronegócio tem se atualizado e Caroline Lopes, frequentadora
assídua da AveSui e Siavs, comenta rindo “Eu nunca presenciei uma aberração
dessas” ao ser questionada sobre “espaços para as mulheres”.

O que esperar da presença feminina?
Caroline vai às feiras para abertura de novos fornecedores, principalmente de
matéria prima para nutrição, medicamentos e insumos em geral. Às vezes, aproveita
para conhecer novas tecnologias de maquinário do setor, mesmo que sem intenção
de fazer negócios.

Para algumas as feiras são negócios, para outras são motivo de admiração. “Visitar
a Agrishow era uma diversão. O que mais me marcou, com certeza, foi a tecnologia
e a grandiosidade das máquinas.” conta Bárbara Costa que acompanha desde
pequena a rotina do pai que trabalha com produção de máquinas agrícolas. Ela
seguiu para o jornalismo, mas durante a graduação, teve algumas oportunidades de
reaproximação do agro, como participação de prêmios e ciclo de palestras organizados por associações, o que possibilitou realizações familiares.

E era na família que Jackeline pensava enquanto preparava-se para a entrevista de
estágio na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, já haviam se passado três
anos daquele convite e do início da graduação em química. Com a resposta, veio o
alívio, poderia contar a todos que era a nova pesquisadora da EMBRAPA. Quando
chegou em casa, foi uma grande festa, todos estavam animados com o começo de
uma nova fase agrícola na casa dos Pereira.

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