TCCs da fAAC

“Os incômodos corporais pelo olhar da fotografia: uma poética”

Gabriela Vieira, ex-aluna de Artes Visuais da FAAC, buscou retratar por meio da poesia a questão estética imposta pela sociedade sobre os corpos de mulheres e minorias

Bianca Furlani

“[…] Não é porque sou mulher que trabalho dessa maneira. É por causa das experiências pelas quais passei. As mulheres não se uniram porque tinham coisas em comum, mas porque lhes faltavam coisas […] Acho que essa é a história de todas as minorias.” É com essa citação do trecho de Louise Bourgeois que a aluna Gabriela Vieira da Silva,  do curso de Artes Visuais da FAAC (Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação), iniciou seu Trabalho de Conclusão de Curso.

Orientada pela Profa. Dra. Regilene Aparecida Sarzi Ribeiro, a artista, que assina como Gabriela Neves, escolheu seu tema tendo como base dois fatores: o pessoal e o corporal. O primeiro surgiu pois, por possuir uma doença de pele emocional que causou, por muito tempo, vergonha do próprio corpo, Gabriela passou pela autoaceitação – sendo, a ação de fotografar a si mesma nua, uma grande ferramenta nesse processo. Já o fator corporal (a questão do corpo do outro), a artista explica: “convivendo com mulheres, percebi que todas tinham alguma vergonha, algum incômodo com alguma parte do corpo ou, se não fosse algo estético, tinha alguma ligação mais subjetiva, como o incômodo de ser homossexual, por exemplo – um corpo super vigiado na sociedade.”

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Fotos: Gabriela Neves

O estudo de Gabriela buscou não só identificar os incômodos impostos por questões estéticas, como também discutir a imagem do corpo – principalmente em relação à resistência das mulheres e das minorias que não se encaixam no modelo ideal imposto pela nossa sociedade -, compreender os motivos da insatisfação com os próprios corpos e, por meio das fotografias, representar tais incômodos, de modo a ressignificar essas marcas na história de cada um dos corpos fotografados.

Segundo a artista, “o processo  de criação foi mais ou menos linear, pois a ideia do tema surgiu por conta dessa observação/autoaceitação, depois foi tomando forma para alcançar o objetivo de dar visibilidade para os corpos ‘incômodos’ na sociedade”. O projeto começou com alguns questionamentos feitos pela própria aluna, como a pergunta: “será que o incômodo que sentimos é só nosso?”. A partir daí Gabriela começou a procurar pessoas, contou a elas sobre ideia de fazer as fotografias e então começou a tirá-las.

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Fotos: Gabriela Neves

Inicialmente a aluna pensou em promover uma exposição, então se questionou: “por que não um livro, que é menos efêmero e pode ter uma versão digital para que todos possam ver?” Pesquisou referências em livros e fotolivros de artistas e, assim, criou o seu.

Sobre o trabalho, Gabriela conta: “além de encontrar e fotografar pessoas maravilhosas, a parte que mais gostei foi a de editar as fotos já pensando na pesquisa que eu tinha feito sobre o corpo mal visto”. Para o futuro, ela pretende continuar esse projeto e, quem sabe, fazer um volume II. A primeira edição pode ser encontrada clicando aqui.

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