Série Especial: Programas de Extensão

Núcleo Negro da Unesp de Pesquisa e Extensão e sua influência social

NUPE tem como objetivo produzir conhecimento sobre a população afrodescendente e propor aperfeiçoamentos das políticas públicas

Julie Siqueira

O Núcleo Negro da Unesp de Pesquisa e Extensão (NUPE) se configura como projeto de extensão e projeto de pesquisa. Segundo o coordenador, Prof. Dr. Juarez Tadeu de Paula Xavier, isso acontece porque o núcleo conta com o desenvolvimento de práticas junto às populações afrodescendentes do entorno universitário que se encontram em situação de vulnerabilidade social e também se articula com setores que desenvolvem estudos em diversas universidades do mundo.

As primeiras ações do NUPE datam do final dos anos 1990 e seu início oficial acontece no começo dos anos 2000, contando com a articulação dos docentes e da reitoria da época. O seu objetivo é observar, estudar, pesquisar e produzir informações, dados e conhecimento sobre as condições de vida da população afrodescendente, tanto dentro da universidade como na sociedade em geral, com o intuito de elaborar propostas de aperfeiçoamento das políticas públicas de inclusão e de permanência.

Julie - Núcleo Negro da Unesp de Pesquisa e Extensão e sua influência social IMAGEM 2

Os núcleos estão montados em sete campi da Unesp: Bauru, Araraquara, Presidente Prudente, Marília, Rio Claro, Franca e Assis. Segundo o Prof. Dr. Juarez, com o ingresso de mais estudantes pretos e pardos na universidade, o núcleo está em fase de expansão. “O NUPE tem relações ativas com diversos coletivos negros que emergiram nos campi, pesquisadores (docentes e discentes) e servidores técnico-administrativos interessados em fortalecer a política de inclusão na universidade”, ele explica.

A dinâmica do núcleo acontece por meio de encontros periódicos locais, regionais e gerais. No câmpus de Araraquara, por exemplo, as atividades incluem grupos de estudos e pesquisa, trabalhos na graduação e pós e eventos regulares. “A participação é aberta a todas e todos que queiram contribuir com os estudos e pesquisas sobre as relações étnico-raciais no país, uma das questões fundamentais para a superação das desigualdades estruturais, que ainda têm os dois pés fincados na lama da escravidão”, diz o Prof. Dr. Juarez.

Julie - Núcleo Negro da Unesp de Pesquisa e Extensão e sua influência social IMAGEM 1

Os feitos do NUPE repercutiram socialmente em diversas dimensões. A sua revista científica “Ethenos Brasil” contou em seu conselho científico com nomes notáveis da ciência nacional, como os professores Milton Santos e Kabengela Munanga e a professora Josildeth Consorte. O grupo também realizou eventos científicos de repercussão nacional e internacional e teve papel fundamental na aprovação da comissão de verificação das autodeclarações de pretos, pardos e indígenas. De acordo com o coordenador, “de modo geral, todas as ações internas sobre as relações étnico-raciais contaram com a efetiva participação de membros do Nupe”.

As discussões do núcleo repercutiram ainda na elaboração de políticas públicas que tratam de temas como a inclusão dos afrodescendentes (adoção das cotas) e obrigatoriedade do ensino da história da África e de suas figuras históricas no ensino básico, além da aprovação do estatuto da igualdade racial – tudo com o objetivo de superar o preconceito, a discriminação racial e o racismo, que, como explica o Prof. Dr. Juarez, são “indicadores do alto grau de vulnerabilidade das populações negras e do elevado índice de morbidade dessa população”.

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