Série Especial: Projetos de Extensão

Biblioteca Falada: sensibilização, inclusão e empenho

Projeto da FAAC produz mídia sonora acessível para pessoas com deficiência visual

Bianca Furlani

Há 13 anos, nascia o Biblioteca Falada. Sob o comando do Prof. Dr. João Batista Chamadoira, o projeto surgiu com a proposta de atender o público com deficiência visual do Lar Escola para Cegos Santa Luzia. Para isso, era feita a transformação de conteúdos impressos, como livros, jornais e revistas, em produções sonoras, com o fim de disponibilizá-las aos alunos do Lar.

Em 2013, quando Chamadoira se aposentou, a Profa. Dra. Suely Maciel assumiu o comando. A partir daí, o projeto passou por mudanças estruturais e de conteúdo que resultaram no que ele é hoje. O público-alvo, que antes se restringia aos alunos do Lar Escola, ampliou-se com a disponibilização do conteúdo na internet, através do site do projeto – com a presença online, o Biblioteca Falada já chegou a atingir dez mil pessoas.

Bianca - Biblioteca Falada sensibilização, inclusão e empenho IMAGEM 1
A Profa. Dra. Suely Maciel, coordenadora do projeto, abriu o evento “Sempre é tempo de aprender” falando sobre a importância da produção de mídia sonora acessível às pessoas com deficiência visual. #PraCegoVer na foto, há um palco de teatro com cenário montado e, à frente, uma mulher em pé segurando um microfone. O cenário é formado por um fundo que mostra um relógio de parede, uma estante cheia de livros e uma placa com os dizeres “Casa dos Concertos”. Há também uma mesa com quatro cadeiras. Foto: Bianca Furlani

Além disso, o projeto deixou de se limitar à narração de conteúdos impressos, passando a também produzir novos conteúdos. As produções agora se baseiam, principalmente, no que os alunos do Lar pedem ao projeto. Audiodescrições sobre personagens da TV e documentários radiofônicos contando a vida de famosos, bandas, grupos e até mesmo personagens históricos também são produzidos pelo projeto.

O Biblioteca Falada é dividido em seis grupos de trabalho: Gestão de Pessoas, Administração, Roteiro e Pesquisa, Locução, Edição e a Equipe de Audiodescrição.

A Gestão de Pessoas é formada por alunos de Psicologia e cuida do processo seletivo e da sensibilização dos membros. O grupo de Administração é responsável pelas atas, pela plataforma digital e pela organização das demandas e produções, sendo formado por alunos dos cursos de Jornalismo, Engenharia de Produção e Ciências da Computação. Roteiro e Pesquisa é o grupo que se responsabiliza por receber as demandas de conteúdo do projeto, pesquisar materiais já existentes e produzir novos roteiros para serem locutados.

Aí entra o grupo de Locução, que dá voz ao conteúdo. Edição entra na última etapa do processo produtivo: recolhe o material locutado, faz ajustes sonoros, de efeito, inserindo musicas e a vinheta do projeto, e finaliza com a gravação dos conteúdos em CDs (que serão entregues aos alunos do Lar) e o envio à equipe de Administração para que o conteúdo seja publicado. Já a equipe de Audiodescrição concentra as três funções: roteiro, locução e edição – mas todas voltadas para a produção de conteúdos audiodescritivos.

Recentemente, o Biblioteca Falada realizou a audiodescrição ao vivo da peça de teatro “Sempre é tempo de aprender”, produzida e encenada por alunos do Lar Escola Santa Luzia. O espetáculo aconteceu no Guilhermão e contou com a narração do cenário e do figurino.

Bianca - Biblioteca Falada sensibilização, inclusão e empenho IMAGEM 3
A audiodescrição ao vivo da peça “Sempre é tempo de aprender” foi feita por Agnes Campos e André Dal Corsi, alunos de Jornalismo da Unesp. #PraCegoVer na foto, há duas pessoas, uma menina e um menino, de costas, ambos com camiseta amarela escrito “Biblioteca Falada”. Ao fundo, acontece uma peça de teatro. Foto: Bianca Furlani

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 6,5 milhões de pessoas no Brasil possuem deficiência visual. Esse público sofre com a falta de acesso à informação de qualidade. De acordo com a Profa. Suely, a produção de mídia sonora acessível voltada para pessoas com deficiência visual é um recurso viável e de baixo custo que acaba sendo menosprezado, ignorado e desconhecido.

A professora reforça que a universidade tem um papel fundamental na formação dos profissionais que vão produzir conteúdos acessíveis a essa população, assim como tem o papel social de formar cidadãos preocupados com a inclusão das pessoas com deficiências no Brasil e no mundo.

Ela também conta que o Biblioteca Falada tem sido inspirador para uma série de pesquisas no campo da comunicação e da educação. Já foi inspiração para projetos de pós-doutoramento, de iniciação científica e até mesmo apresentado em congressos nacionais e internacionais. “Poucas instituições realizam iniciativas semelhantes à do Biblioteca Falada”, reitera ela. “A universidade tem um papel fundamental no sentido de estimular e promover esse reconhecimento da necessidade de inclusão de todos os cidadãos brasileiros”, diz.

 

O Biblioteca possui pra mim uma importância e um significado muito grandes. Dentro da graduação em jornalismo, infelizmente, a gente percebe o quanto a comunicação,  que deveria ser um direito de todos, ainda é pouco inclusiva e acessível. Somente acompanhando as produções do BF, as visitas ao Lar Escola Santa Luzia e convivendo com pessoas que possuem deficiência visual pude perceber isso. Então sempre falo que a importância social do projeto é imensa, a gente leva informação, conhecimento para essas pessoas, algo que a comunicação como um todo ainda não se preocupa em fazer. Só aprendi dentro dele. De maneira geral cada visita ao Lar é uma nova experiência. Sempre saímos de lá percebendo o quanto ainda falta aprender e fazer.

– Larissa Cavenaghi, estudante do terceiro ano de jornalismo,
coordenadora da equipe de Edição do Biblioteca Falada.

 

O projeto realiza o processo seletivo todos os anos de acordo com a demanda de membros. É dividido em quatro etapas: sensibilização, workshop de apresentação, inscrição online e avaliação específica para o grupo de trabalho de escolha do candidato. O Biblioteca Falada também possui uma sede, que fica localizada no mesmo prédio da pós-graduação da FAAC e possui isolamento acústico para que as produções possam ser gravadas.

Todos podem participar: alunos, professores, técnicos e até pessoas externas à Unesp. Basta ter dedicação, vontade de aprender e de fazer a diferença!

Para saber mais sobre o projeto, basta entrar em contato pela página do projeto no Facebook ou pelo e-mail nuvembg@gmail.com.

Anúncios

Deixe seu comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s