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O fenômeno MTV Brasil

Surpreendentemente, a televisão brasileira, aprendeu muita coisa com um canal de música jovem

por Thuany Gibertini

No dia 30 de setembro de 2013 saía do ar o primeiro canal sobre música, segmentado para os jovens, da televisão aberta brasileira. Morria naquele dia a MTV Brasil, que animou os dias da juventude e introduziu toda uma cultura do videoclipe durante 20 anos. Esse canal inovou em diversos aspectos, desde a estética televisiva até a forma de apresentar programas e, principalmente, a quebra de tabus.

Naqueles programas, que os avôs deviam chamar de malucos e os pais talvez achassem de má influência, se falava de tudo um pouco. Sexo, palavrão, homoafetividade, masturbação, tudo se tornava pauta e era discutido com seriedade, porém, com bom humor. Algumas gerações passaram os dias, tardes e noites sentados em frente à televisão, assistindo a esse fenômeno que foi a MTV. Para muitos, esse canal se tornou o único “assistível” em uma época que a TV a cabo ainda não era difundida.

Esse público não só assistia como vivia a MTV. Moda, trejeitos e pensamentos foram guiados pelos videoclipes e VJ’s. Será que depois desse fenômeno que foi a Music Television Brasil, tudo simplesmente morreu com o fim das transmissões, naquele dia 30 de março? Você pode pensar que não porque existe o novo canal a cabo da emissora também. Mas, o caminho não é bem por aí, até porque essa nova versão não parece muito com a anterior. Ela segue muito os moldes americanos, passa vários reality shows da gringa, e quando não faz a versão brasileira deles. No fim das contas, dois ou três programas se salvam.

O fato é que a antiga MTV se difundiu por muitas emissoras, exemplo disso é a Rede Globo. Primeiro, ela contratou Dani Calabresa, Marcelo Adnet, Tatá Werneck e Paulinho Serra. Além disso, é possível ver um pouquinho da finada emissora em sua atual programação:

“Tá no ar” bebe muito da água do “Comédia MTV”, tendo pessoas que vieram do próprio Comédia. Além dos esquemas de esquetes e músicas, possui um humor bem mais afinado e com certeza mais ousado do que aquele que se costumava ver na Globo;

No “Vídeo Show”, a tentativa foi um tanto quanto falha, mas dá pra notar um toque de “Furo MTV”, dois apresentadores na bancada fazendo piada com as notícias. Contudo, no Vídeo Show as notícias são apenas da área do entretenimento e a coisa não é nem de longe tão engraçada;

Por fim, “Amor e Sexo”. Lembra-se daquela quebra de tabus? Aqui está. Falar de sexo de maneira explícita e aberta, até mesmo a estética do programa nos lembra muito a MTV, só que com uma produção mais rica. Quer outro fator? A apresentadora é a Fernanda Lima, que já apresentou o “Fica Comigo”, um programa vanguardista, que transmitiu várias vezes beijos gays muito antes da novela das 9.

Isso nos mostra que a MTV não morreu, mas vive em pedacinhos na grade da televisão brasileira. Ela inovou em diversas áreas, inclusive em questão de interatividade, seja via SMS ou via internet, sempre chegou lá antes dos outros canais pensarem na possibilidade. Ela deixa lições e muitas saudades, os adolescentes de hoje não conhecem a emoção de ouvir um “caralho” na TV aberta, esperar seu clipe favorito ou apreciar a última moda no quesito canal despojado. Ela foi um verdadeiro fenômeno.

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