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A mídia pinta o Brasil, como Walt Disney pintou Zé Carioca

Por Thuany Gibertini

Durante a segunda guerra mundial nasce um dos papagaios mais conhecidos no mundo. Zé Carioca, surge a partir da política da boa vizinhança criada durante o governo de F.D. Roosevelt. Com a intenção de se aproximar dos governos da América Latina, os EUA enviam Walt Disney em várias missões para criar personagens que representassem a cultura de diferentes países. Exemplo disso é o Galo Panchito, criado para representar a cultura Mexicana nos desenhos.

Em sua primeira visita ao Brasil, Disney recebeu do cartunista J. Carlos um desenho de um papagaio abraçando Pato Donald. Pronto, foi escolhido o animal que representaria o Brasil. Porém, foi em sua segunda visita que Disney conheceu e escolheu a pessoa que daria ao personagem todos os trejeitos que ele hoje possui. O músico José Patrocínio Oliveira, ou Zezinho, presenteou o “Joe Carioca” com suas roupas, malandragem e ginga.

Todos que já leram a revista em quadrinhos do Zé Carioca sabem qual é a imagem que ele passa do Brasil e do brasileiro. A história apresenta um país cheio de riquezas naturais, contrastando com a dos morros e é em um desses morros que nosso protagonista mora. Zé é preguiçoso, malandro e oportunista, sempre tenta se virar com o famoso ‘jeitinho brasileiro’. Em oposição a todas essas características negativas, aparece seu lado receptivo e festivo.

O personagem está sempre pronto para receber alguém e mostrar as riquezas e belezas do nosso país, no filme “Você já foi à Bahia?”, ele recebe Donald e Panchito, sendo amigável e bem humorado, apresenta as baianas, a cachaça, o samba, enfim todas as riquezas culturais que as terras verde e amarela apresentam. Bem, nem todas, mas são basicamente as que importam nessas histórias, além do futebol, é claro, que foi acrescentado posteriormente nos quadrinhos.

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É fácil notar o quanto esse estereótipo criado na década de 40 nos persegue até hoje, de maneira muito contundente. Curioso é saber que os quadrinhos do Zé Carioca tiveram basicamente quatro fases de criação: a primeira escrita e desenhada por americanos, a segunda por um argentino, a terceira e quarta por brasileiros. Nas últimas duas o papagaio se inseriu de vez na realidade brasileira e foi nessas fases que os estereótipos se reforçaram.

Se hoje vemos nos “Simpsons” um Brasil onde só existem macacos e floresta amazônica; ou em uma série como “Eu, a Patroa e as Crianças”, as brasileiras sendo vistas como mulheres belíssimas, porém ‘fáceis’; podemos encontrar um pouco da origem disso nos quadrinhos da Disney. Contudo, apesar de essa ter sido uma visão construída por estrangeiros, nós internalizamos isso, tomando como verdade e, agora, passamos a externalizar essa imagem.

Até mesmo em programas de televisão brasileiros existem brincadeiras de imaginar como seria determinada coisa se fosse no Brasil, sempre reforçando os mesmos conceitos do que é ser brasileiro e do que é Brasil. Atualmente essas características são ainda mais acentuadas, acrescentando na lista o roubo, drogas e a ideia de que tudo o que é feito no nosso país é ruim.

Assim, convivemos com essa imagem criada por americanos e reforçada por nós mesmos, sejam nas telas brasileiras ou de praticamente qualquer outro país. O ‘complexo de vira-lata’ existe, além de rebaixar, ridicularizar e descontextualizar certos itens da nossa cultura, ainda se esquece completamente da existência de outros. Desde o papagaio criado por Walt Disney, somos o país do samba, futebol e mulheres.

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3 comentários em “A mídia pinta o Brasil, como Walt Disney pintou Zé Carioca”

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