Design

Relatos de uma Estilista Beninense Brasileira

Por Carolina Cristina Souza

A indústria da moda atualmente ocupa um grande espaço na economia brasileira, gerando trabalho, renda e investimento para o país e afetando assim a história, o comportamento com a mídia, entre outros. Hoje, por meio do prêt-à-porter, das tendências e das opções oferecidas pela indústria, o público alvo é mais envolvido com os processos, meios de fabricação e matérias. As pessoas vivem na moda e consomem moda buscando a diferenciação e status, tornando a moda uma instituição de grande valor.

Atualmente, além dos meios tradicionais de divulgação, compra e conhecimento, como as revistas especializadas e lojas, encontramos diferentes eventos acontecendo em diferentes plataformas, sendo a internet responsável pelas mudanças atuais no meio. Junto com as e-commerces e marcas para compras online, vemos a presença dos blogs, vídeoblog e sites que tratam de assuntos variados relacionados à moda.

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Eles se caracterizam pela mudança da experiência, de contato, compra, compartilhamento, de informações e educação, onde seus seguidores, membros, usuários ou fãs possam comentar, opinar e estudar. Como todos esses fenômenos são incontroláveis, é possível ver cada vez mais a moda presente em vários lugares, tornando-a um pouco mais democrática. Dessa forma aumentam também o número de pesquisadores que investigam essa área, além de cursos e alunos que se interresam pelo assunto.

Para falar sobre a experiência dentro da área e sobre a faculdade, entrevistamos a aluna Ozias Japhette, uma Beninencen, do Oeste da África, mas cada vez mais brasileira. Com sua marca modukpê, ela cria peças e produz desfiles, além de trabalhar com produção cultural. Estudante de Design diurno, da turma de 2017,  Ozias nos conta uma pouco mais sobre esse mundo.

Para começar, nos conte como a moda entrou na sua vida?

Ozias Japhette: Eu cresci em uma família onde se valoriza a moda a boa aparência. Por exemplo, meu pai quando viajava trazia peças para mim, me dava dicas de roupa vestir. Eu costumava acompanhar minha mãe até a costureira. Ela e minha tia vendem tecidos africanos, então cresci nesse meio adquirindo conhecimento. Mas a hora em que eu decidi seguir essa área, já era adolescente, com 15 ou 16 anos. No começo, desenhava peças para mim, não encontrava roupas que me serviam e que faziam meu estilo ao mesmo tempo, então levava esses desenho até a costureira. Quando vim para o Brasil, decidi levar minha identidade Africana para as peças que criava. Não consigo fazer outra coisa, é com isso que me identifico.

Fala mais da sua carreira antes de sair no Benin?

O. J.: Não estava atuando na área lá no meu pais, as coisas começaram aqui no Brasil, não faz muito tempo.

Mesmo não tendo Design de Moda aqui na Faac, como o seus estudos te ajudam na carreira?

O.J.: Sim, não tem Design de moda aqui. Mas o Design Gráfico está me ajudando muito, nunca tinha pensando que eu poderia criar uma estampa, nem imaginava. Hoje, aqui na Unesp, desenvolvi habilidades para criar estampas estou trabalhando com isso. Mas tenho que reconhecer que tudo sobre o mundo da moda aprendi de uma forma autodidática, mesmo assim o curso, as aulas de desenho de observação, melhoraram o meu traço. Todos os trabalhos livres, pesquisa e iniciação científica, puxo para o lado a moda, as vezes até sem perceber, dessa forma ganho mais conhecimento.

Qual é a proposta da sua marca?

O.J.: Minha proposta é criar peças urbanas com inspiração africana. Aqui no Brasil é tudo muito novo, é uma oportunidade que está surgindo agora. Muitos que trabalham com isso fazem moda afro, eu faço africana. Existe uma pequena diferença. Minha proposta é quase uma ponte entre os continentes. Quero que o brasileiro use roupas no seu dia a dia, com inspirações africanas, sem ser visto como extraterrestre. Espero que dê certo.

O Design de moda pode ser usado como ferramenta para transformação?

Eu creio que sim, para quem quer ser transformado. Por exemplo, se você compra uma roupa minha, você estará levando história por trás dela, um significado muito forte e importante para mim e para outras pessoas. Através disso, não quero que vejam mais a África como uma continente primitivo, mas sim com uma cultura para ser admirada .

Cada vez mais pessoas querem ter seu próprio negócio. Você pode nos dar um conselho para quem quer seguir seus passos?

Uma coisa que eu posso falar é aproveitar todas as oportunidades. Às vezes acreditamos em uma grande chance, que se torna um fracasso depois e não olhamos para as pequenas, que podem ser bem promissoras. Então tente tudo e não desista que uma hora vai dar certo. Outra dica é se informe ou arrume uma pessoa que cuide das finanças, se você não entender essa parte é muito fácil seu negócio falir. Também não espere ter estudos, experiência na área para começar porque é fazendo que a gente aprende.

Para contato ou mais informações acesse Modukpê Vestuário no Facebook.

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