Jornalismo, Tecnologia

iPhone vs Cinegrafista – Quando a tecnologia substitui o profissional

Por Nathane Agostini

Um repórter, uma câmera e um operador. São esses os elementos básicos para a produção de uma reportagem nas ruas, ou ao menos eram. A tecnologia, que constantemente é desenvolvida para facilitar o trabalho de diversos profissionais, têm alterado o fazer jornalístico e, até mesmo, substituído a mão-de-obra humana.

Se antes eram necessários equipamentos específicos e caros e profissionais qualificados para operá-los, hoje celulares são utilizados pelos próprios repórteres na captação e transmissão dos conteúdos de fora do estúdio.

Os novos smartphones apresentam uma qualidade muito boa na gravação de som e imagem; segundo o diretor de notícias da emissora suíça Léman Bleu, Laurent Keller, eles apresentam uma resolução muito similar a transmitida na TV atualmente e têm um custo menor que filmadoras profissionais.

Visando justamente a redução de gastos, o canal distribuiu a cada um de seus jornalistas um iPhone 6, um microfone e um ‘pau-de-selfie’, com os quais deveriam, sozinhos, produzir suas reportagens.

Foto: Reprodução Twitter
Foto: Reprodução Twitter

Se a substituição dos operadores de câmera já não fosse preocupante o suficiente, há ainda a questão da qualidade da notícia produzida, já que os jornalistas terão que buscar a informação, transmiti-la, fazer entrevistas e ainda acertar o enquadramento da filmagem. Sem contar os empecilhos de iluminação, que varia muito em ambiente externo, e a movimentação da câmera, que fica muito limitada.

Há alguns anos, uma emissora americana da cidade de Charlotte tentou implementar a utilização de iPads, mas desistiram da ideia devido a diversos problemas técnicos. A Léman Bleu é uma emissora pequena, que transmite de 3 a 4 horas de conteúdo por dia, o que talvez justifique porque o método tem funcionado. Mas seria isso uma tendência?

Mudanças como essa mostram como o mercado jornalístico tem se alterado e como vem se tornando um ambiente difícil para os profissionais. Recentemente, notícias sobre a demissão em massa de jornalistas tem sido frequentes e agora, além dos produtores de conteúdos, os técnicos também estão sendo substituídos.

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