Comunicação, Publicidade

Masterchef, Twitter e a TV aberta em tempos de internet

masterchef

Por Gabriela Moraes Montoro

A subcultura de internet brasileira – frequentada por quem passa muito tempo online – tem uma característica muito forte de mutabilidade. Quase como uma entidade única, alguns fenômenos passam batido, com poucos comentários, enquanto outros são assunto por meses.

É impossível saber ao certo o que fez a internet, e em especial o Twitter, mobilizar-se com tanta força por um programa de TV aberta, mas a verdade é que a segunda edição do programa Masterchef Brasil, da emissora Band, foi um sucesso na rede social desde o começo.lçsakçafsk

Assistir ao programa acompanhando o Twitter era como estar em uma sala cheia de amigos assistindo à TV. A timeline na maioria das vezes era dominada pelo programa, com os usuários comentando e fazendo piadas em tempo real. A enxurrada de postagens atraía curiosos, que decidiam assistir ao programa apenas por curiosidade e acabavam por acompanhar o programa e falar sobre ele junto com seus amigos, o que alimentava um ciclo. Claramente, o programa era bom, pois quem era atraído por curiosidade – muitas vezes pessoas que não têm o hábito de assistir TV – acabava ficando. Costumava-se dizer na rede social que o programa tinha “bons personagens”, uma clara alusão à edição tendenciosa que programas de Reality Show costumam sofrer, além de uma das muitas piadas comparando o programa com desenhos de animação japonesa.

A emissora viu a popularidade de seu programa crescer, e logo descobriu de onde esse novo público vinha. E decidiu fazer algo a respeito.

O último episódio, o mais chato e cansativo da temporada, foi muitas vezes comparado a uma pessoa idosa tentando parecer “descolada”. Uma quantidade exagerada de inserções de patrocinadores, drama desnecessário e, principalmente, trechos ao vivo que contrastavam muito com as partes gravadas, apresentação por Preta Gil e a presença de “twiteiros famosos” (ou ao menos eram em 2009), foi um show de vergonha alheia. O pior momento da noite foi a revelação do campeão da competição, feita primeiro por um tweet, após a apresentadora fingir que estava postando na rede social muito embora o programa era obviamente gravado, tudo isso com um patrocínio de planos de internet 4G.

A segunda edição do programa Masterchef Brasil nos mostrou que as redes sociais podem sim trabalhar muito bem com mídias mais antigas como a TV e atrair um novo público, mas se usada de forma incorreta acabam por repelir este novo público, sem muita paciência para os antigos truques da televisão.

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