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Jornalismo televisivo, ética, e cinema: “O Abutre”

A temática “Jornalismo e Ética” não é recente no cinema – é presente, por exemplo, já em 1941, em Cidadão Kane (“Citizen Kane”, título original), e em 51, com A Montanha dos Sete Abutres (“Ace In The Hole”)Um filme que recentemente tem chamado atenção é O Abutre (“Nightcrawler), dirigido por Dan Gilroy e estrelado por Jake Gyllenhaal. Muitos críticos e amantes de cinema sentiram a ausência do longa nas indicações de Melhor Filme e Melhor Ator no Oscar, premiação que acontece nesse domingo (22). Talvez seu clima pesado e psicologicamente sombrio tenha afastado o filme das indicações. Concorre somente a Melhor Roteiro Original.

O fato é que o filme traz, de uma forma brilhante – e em um pacote completo – o jornalismo televisivo em sua faceta mais obscura: a imagem do horror, da violência, como garantia de audiência. De quem é a culpa?

Para quem não se importa com spoilers e quer conhecer a história do filme, segue abaixo o trailer:

Fica aí a reflexão. São os telejornais e programas de TV que buscam incessantemente e bombardeiam as telas com imagens trágicas e desastrosas, sem escrúpulos, ou é a própria audiência que pede por elas, instintivamente, e fecha os olhos para essa falta de profissionalismo? Mas que profissionalismo é válido quando o assunto é concorrência, lucro? Não é de hoje que o Jornalismo está cada vez mais atrelado ao entretenimento, à espetacularização, ao sensacionalismo. E onde ficam, então, a “verdade” noticiosa, a privacidade, e a ética, em meio a tanto banalismo?

O filme te faz pensar em todas essas questões, de uma forma orgânica, reflexiva, mas não forçada ou julgada (o próprio personagem principal, Lou Bloom, não é um jornalista cinematográfico, um outro ponto digno de crítica), que contrasta com a morbidez e obscuridade dos cenários, e principalmente, com o ar sinistro, doentio e psicologicamente alterado de Lou.

E não é por isso, entretanto, que outros aspectos do filme perdem seu valor. Pelo contrário. Como disse, para mim, um pacote completo: roteiro, direção, elenco, fotografia, e trilha sonora, elementos que te fazem prender a atenção e criar o fio de reflexão. A exemplo de “O Mensageiro”, filme também lançado no final do ano passado que também traz a temática jornalística, “O Abutre” discute a ética na profissão em um atual contexto total pertinente. Chega a ser assustador, mas é uma verdade retratada, vista cotidianamente na TV, que muitos não param para pensar, ou pior, VER. O ator Jake Gyllenhaal, indicado ao Globo de Ouro de Melhor Ator Dramático, disse em uma conversa com o Jornal Folha de São Paulo: É um ciclo, mas acho que vem do que nós queremos, da natureza humana. (…) Acho que isso diz que somos todos um pouco cúmplices dessa história”.

Maria Tebet

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