Cursos, Jornalismo

Em busca de aspas femininas na agenda jornalística

Parte essencial do trabalho de todo jornalista e responsável por agregar credibilidade às informações coletadas durante o processo de construção de uma notícia, encontrar fontes especializadas pode ser uma tarefa cansativa. Não à toa, muitos repórteres, motivados por fatores como dificuldades de acesso, contato e deadline apertado acabam por recorrer à mesma agenda de entrevistados, o que impossibilita uma multiplicidade de perspectivas na mídia. Ainda referente a esta questão, outra problemática é a do gênero dos especialistas: homens, em sua ampla maioria, o que desprestigia alguns trabalhos sérios empreendidos por mulheres.

A respeito do assunto, a Super Interessante revelou em 2010 que apenas 1 em cada 4 de seus entrevistados era mulher. Mais recentemente, em 2013, com uma abordagem crítica, a Universidade de Nevada fez um estudo sobre o jornal The New York Times que contabilizou, em 352 matérias de primeira página, um percentual de 65% de fontes masculinas ante 19% mulheres e 17% fontes institucionais.

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Foto: morguefile.com

A falta de representatividade e de vozes femininas na mídia pode gerar debates a respeito de machismo e relações de poder na sociedade. Especialistas mulheres, afinal, são cada vez mais frequentes. Na própria FAAC, em seus 5 departamentos, há 40 doutoras (7 no Departamento de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo; 8 no Departamento de Artes e Representação Gráfica; 11 no Departamento de Comunicação Social; 5 no Departamento de Design; 9 no Departamento de Ciências Humanas) que trabalham ao lado de 47 doutores, além de assistentes e auxiliares. Números que tendem cada vez mais a se aproximar, especialmente se levados em consideração os novos perfis demográficos das turmas de graduação nas áreas de Comunicação Social, Design, Artes Visuais e Arquitetura.

Com isto em mente, surgiu em agosto de 2014 no blog Think Olga, já conhecido pela campanha “Chega de Fiu Fiu”, o projeto “Entreviste uma Mulher”, um banco de dados com fontes femininas especializadas em diversos temas, defendido por suas idealizadoras na página sob o seguinte aviso. “Atenção: não estamos dizendo que homens não devem ser entrevistados, nem que só as mulheres têm a palavra final sobre os assuntos a serem discutidos. O que propomos aqui aos responsáveis pelos veículos de comunicação é que prezem pela diversidade ao elaborar suas pautas.”

De caráter colaborativo, o projeto é concentrado em uma planilha organizada em ordem alfabética que traz dados como nome, contato, cidade, mini biografia, área de expertise e exemplos de trabalho, de modo a auxiliar jornalistas e demais profissionais de comunicação a escolherem e entrarem em contato com suas fontes.

Para se inscrever ou indicar alguma conhecida ao site, é necessário mandar um e-mail com as informações acima a olga@thinkolga.com e aguardar pela aprovação, um símbolo de inclusão da voz feminina no centro daquilo que o jornalismo pauta diariamente à sociedade.

Por Ana Beatriz Ferreira

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