Para Comunicadores, Pela Faac

Somos o que pesquisamos: explorando o Google Trends

O brasileiro acorda, ao som de seu despertador – You know what to do with that big fat butt? Wiggle, Wiggle, soneca: “Só caso voltasse a dormir”. Sem levantar da cama, já acessa o 3G para receber os recados do Whatsapp – lembra, nostálgico, que há pouco tempo atrás não sabia nem o que era tal aplicativo – e não se esquece de mandar aquela frase de efeito matinal em seu Secret App. Olha fixamente para o celular, desejando que este se materializasse em um iPhone6. “Como ganhar dinheiro?”, cabisbaixo, mentalmente se pergunta. Levanta, chutando pelo caminho alguns CDs esquecidos no chão, um da banda Malta, e outro da Anitta, motivo de chacota se algum de seus amigos ficassem sabendo de tal existência. No Facebook, uma chuva de Feliz dia do amigo fulana/brother/galera!”. Sorriu. Pensou em mais tarde chamar-lhes para assistir Anabelle ou então BBB 14. Não, melhor um futebol, um jogão com James Rodriguez. Umas cervejas, muito MC Gui, um almoço estilo arroz e bife, e a reunião estaria completa. Quase. Lembrou, triste, que não sabia como fazer arroz. “Serei um péssimo marido”, delirou. A festa de casamento não seria nada como a de Júnior Lima ou como a do Latino, também tinha certeza. E filhos? A simples menção da pergunta lhe fez lembrar de suas primas pequenas, doidas pela Peppa Pig, berrando Let It Go – do filme Frozen – pela casa e dançando Lepo Lepo. E pensar que antes eram fãs do Renato Aragão. Ele até que gostava dos Trapalhões quando era criança, ficou chocado quando leu sobre os boatos de sua morte. Também ficou chocado quando soube da morte de Eduardo Campos, seu candidato à presidência. “Por que sonhamos, não?” Indagou, pensando alto. E Por que soluçamos? Mistérios. Como os mistérios e reviravoltas de sua novela preferida, Amor à Vida. (…).

O trecho acima é uma vã tentativa literária, um escachado e divagado esboço de como poderia ser formulado um retrato do brasileiro no ano de 2014. É uma brincadeira, claro, mas as palavras em negrito não vieram da minha cabeça: elas são as mais pesquisadas no site do Google no ano passado, pelos brasileiros.

A lista foi divulgada no começo de dezembro pelo Google Trends, a ferramenta do Google que mostra os termos mais procurados em seu site de buscas. Com os gráficos disponibilizados por ela você pode saber a frequência e o tempo (a partir do ano de 2004) em que um termo particular é buscado em várias regiões do mundo e idiomas. Dá ainda para comparar o volume de procura entre duas ou mais condições, como também ver notícias relacionadas às palavras procuradas. É só digitar uma palavra-chave no campo de pesquisa. A partir daí, você pode refinar os resultados e comparar termos-chaves (pode-se procurar por até cinco palavras-chaves ao mesmo tempo).

A utilidade do serviço e seus benefícios, isto é, sua capacidade de fornecer um panorama geral sobre os temas de interesse ao redor do mundo, de ajudar a entender o comportamento das pessoas na internet – e fora dela -, e ser usado para traçar o perfil de determinada população e/ou região, fazem com que o Google Trends se torne uma ferramenta essencial na área de comunicação digital.

Tudo pode se resumir em um só termo: público. Conhecê-lo, entendê-lo e perceber seus interesses são passos fundamentais para uma boa relação entre empresa e cliente. O Google Trends pode ser usado, então, para justificar termos-chaves em ações de uma empresa, na elaboração de termos de SEO, assim como planejar campanhas de marketing e desenvolvimento de estratégia: seu conteúdo precisa ser encontrado, e, para isso, é necessário conhecer as palavras-chaves mais acessadas; além disso, o serviço relaciona esses termos com períodos do ano e com a localização desejada, auxiliando na procura de tendências e interesses de cada público.

Então, o que essas buscas falam sobre nós? O que os termos Robin Williams, Copa do Mundo 2014, Ebola, Malaysia Airlynes e ALS Ice Bucket Challenge têm em comum? São os cinco termos mais procurados no mundo em 2014. Eles nos mostram que mundo se choca, que o mundo gosta de um bom evento de futebol – principalmente se o anfitrião levar de 7 na semi-final -, que o mundo tem medo, que ele adora um mistério e jogar baldes de água fria na cabeça. Interprete você também, mesmo que seja como aqui, de brincadeira. E vá mais longe: o que as nossas pesquisas na internet nos dirão sobre o mundo em 2015?

por Maria Tebet

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