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Somos Todos Cascão, Choveu na Cantareira e a criatividade em campanhas pela água

A crise da água no estado de São Paulo é um dos grandes focos dos olhos dos brasileiros. Os índices cada vez mais baixos do nível da Cantareira e de outras fontes de abastecimento do estado, como o rio Batalha aqui de Bauru, causam preocupação não só aos paulistas, mas também àqueles que dependem de plantações, movimentações econômicas, aos estados vizinhos e, devido à importância do estado, ao país inteiro.

Vendo e vivendo todo esse problema, as pessoas começaram a acompanhar mais as previsões do tempo, por exemplo. Mas não só isso: passaram a racionar sua água novamente, evitar grandes gastos, acompanhar caminhões-pipa e tentar descobrir como está o nível do Sistema Cantareira. Como sempre, os comunicadores, que não perdem uma oportunidade de usar suas criativas mentes, pensaram em diversas formas para facilitar a vida da população em relação à informação sobre essa enorme crise hídrica.

Infinitas piadas, criações de memes e breves notas diárias sobre o problema vêm sendo criados desde o final de setembro, quando o que parecia pequeno começou a ganhar proporções inimagináveis. Em meio a tudo isso surgiram dois projetos incríveis: o site “Choveu na Cantareira?” e a página no Facebook “Somos Todos Cascão”.

O site “Choveu na Cantareira?” foi criado por Mauro Mandil, um publicitário que trabalha numa agência e tinha acabado de criar o site “Reclame Bonito” quando o problema da água ficou mais evidente. Já que seu site para reclamações educadas havia ganhado grandes proporções, por que não pensar em um que falasse quando chove na Cantareira, para responder de forma mais efetiva as infinitas perguntas em torno do assunto quando uma garoinha cai nos bairros paulistanos? Junto do diretor de arte Felipe Drummond, que desenhou artes para o sim e o não, e o programador Mateus Murbach, que colocou em automático as atualizações diárias da chuva, Mauro lançava o Choveu e, em seguida, o “Tem água na Cantareira?” para explicar mais sobre os níveis de água e suas porcentagens.

Quando perguntado sobre a divulgação do site, o publicitário disse: “Não fizemos nenhum esforço de divulgação do site além de compartilhar na minha timeline do Facebook. Todo o resto foi espontâneo. Acredito que encontrar uma demanda que não está sendo suprida é a chave de sucesso para qualquer novo negócio. Esse site é exatamente isso. Disponibilizei uma informação que as pessoas queriam de uma forma simples”. E é simples mesmo. Mas, ainda assim, os sites-irmãos precisam de doações para serem mantidos no ar e o internauta pode ajudar através da opção dada na própria página.

Pensando também na conscientização, mas com um viés um pouco diferente, é que os publicitários André Nunes e Robson Leite desenvolveram o site e a página “Somos Todo Cascão”. Em meio a uma conversa, os publicitários pensaram que seria muito bom se entre os paulistas existissem mais pessoas como o Cascão, o personagem da Turma da Mônica que corre da água só de ouvir a palavra. Mas é o que André diz: “a ideia nunca foi levar a questão da falta de banho ao pé da letra, mas tratá-la como uma metáfora para o uso consciente de água. Afinal, dá para ser Cascão de muitas formas, tal como deixar para lavar sua roupa de 15 em 15 dias, varrer a casa com mais frequência do que lavá-la ou até mesmo, por mais simples que pareça, escovar os dentes ou se barbear com a torneira fechada”.

Os dois publicitários alimentam a página no Facebook com imagens com caráter humorístico, principalmente pelo Cascão ser um personagem com um teor de graça elevado e por eles acreditarem que o humor muda o mundo. O site foi desenvolvido com a ajuda de um amigo deles e nele se encontra uma breve descrição sobre o que é ser um Cascão e também um botão onde é possível fazer o download de uma máscara do Cascão para impressão. A ideia de tudo é levar à população um olhar diferenciado sobre a crise da água e mostrar que é possível, sim, fazer muito para amenizar essa triste fase.

Toda a divulgação das vertentes comunicacionais do “Somos Todos Cascão” foi feita através do boca a boca e do compartilhamento nas redes sociais e, por isso, o público é o mais diverso possível. A ajuda dos amigos e conhecidos foi importantíssima para o crescimento do projeto, uma vez que não há fins lucrativos, apenas querem “atingir ainda mais pessoas sempre”, como diz André.

A crise da água está aí e existem mil e uma possibilidades e alternativas que nós podemos fazer para amenizar os sofrimentos que ela causa. Não existe, por enquanto, uma porta de saída que resolva todo o problema, mas essas duas janelas já são uma amostra de que as coisas podem ser menos difíceis.

Por Mayara Abreu Mendes

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