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Aço e concreto para além dos cofres

A Copa do Mundo 2014 no Brasil parece superar as expectativas até dos mais pessimistas, principalmente dentro de campo. Festa nos estádios, jogos memoráveis e muitos gols. Mesmo com alguns incovenientes e tropeços na organização do evento – como falta de comida nas partidas ou de segurança, por exemplo -, os pontos positivos do país estão sendo bastante exaltados pela imprensa brasileira. As polêmicas que muitos evidenciaram desde o anúncio do país como sede da Copa, porém, estão provavelmente longe de um encerramento definitivo. Algumas das dúvidas e críticas que facilmente ouvem-se por aí: “A realização da Copa do Mundo trará mais benefícios ou mais prejuízos para o Brasil?”, ou ainda, “Onde estão os investimentos que realmente importam para a população, aqueles destinados à educação, saúde, transporte?”. O custo do Mundial para nós, até agora, foi de 15 bilhões de dólares. Os doze estádios, somados, custaram 42% a mais que o previsto inicialmente em seus projetos – de 5,97 bilhões de reais para 8,48 bilhões de reais.

Mas é indo na direção contrária das críticas envolvendo a realização da Copa, poder público, e dados monetários que trago, aqui – de uma forma um tanto quanto otimista – algumas informações positivas sobre a (re)construção dos estádios para a Copa do Mundo. Quatro deles somam 5,4 MW de produção de energia elétrica provenientes de células fotovoltaicas. No Mineirão, por exemplo, a energia solar captada e transformada em energia elétrica é suficiente para abastecer 2 mil residências. O reuso da água da chuva para fins não potáveis – como irrigação do gramado – também é uma medida utilizada em algumas das outras obras. No Estádio Mané Garrincha, 5 sistemas cisternas (reservatórios) guardam, juntas, 8 milhões de litros de água.

Agora é esperar que todo esse potencial não só ambiental, como também socialmente sustentável seja de fato aproveitado quando a Copa acabar. Informações interessantes sobre a (re)construção de alguns estádios da Copa do Mundo você confere abaixo:

Imagem1Mineirão – O estádio está localizado no bairro da Pampulha, os dois idealizados em 1940. A região turística foi projetada por Oscar Niemeyer. O casco foi preservado e o campo rebaixado para melhorar a visibilidade. O projeto inclui a inserção de um podium, uma plataforma na base do edifício principal horizontal – como o Castelão, em Fortaleza, e o Allianz Arena em Munique. A inovação foi articular a plataforma com a cidade e a obra, sendo assim esculpida no terreno e se dispondo em diversas praças de uso semi-público em níveis escalonados.

As praças fazem parte do entorno do estádio e podem ser vistas como uma continuação do solo da cidade de Belo Horizonte. Uma outra expressão na incorporação de novos programas aos estádios, depois do podium, é acoplar um volume vertical formando um todo compacto, como acontece no Itaquerão, em São Paulo.

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 Imagem2Arena Pernambuco – Uma particularidade desse projeto é a sua não inserção à uma malha urbana consolidada. O desafio da obra é sua integração com o meio ambiente natural e o estabelecimento de uma relação de unidade com os desenvolvimentos urbanos futuros na região. Seu entorno é formado pela mata nativa e pelo Rio Capibaribe, além de cursos d’água e áreas de preservação ambiental. Está localizado estrategicamente junto à rodovia BR-408 e a futura avenida estrutural de ligação aos bairros vizinhos e ao centro de Recife.

De característica topográfica, em forma de elevação – mais baixa que os morros ao entorno – passa a sensação de surgimento e diminui o impacto monumental característico das construções de estádios.

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Imagem3Arena Pantanal – Anteriormente com capacidade de 27 mil assentos, as arquibancadas metálicas e parafusadas acopladas ao novo projeto deram ao estádio a capacidade de cerca de 43 mil lugares. O substituto do atual Estádio Governador José Frageli precisou de medidas que solcionassem problemas como a flexibilidade do espaço e as altas temperaturas de Cuiabá.

A construção das quatro esquinas abertas foi uma das saídas, o que garante que os ventos sempre fluam entre a Arena e os terraços. Placas de PVC unidas às arquibancadas para refletir raios solares, telas de aço na lateral para a entrada de ar e o plantio de árvores adaptáveis ao clima da região – compondo o paisagismo da obra – também foram algumas das medidas adotadas para melhorar o sistema de circulação do estádio.

Por estar próximo a uma importante base hidrográfica, o projeto tem três sistemas combinados para reduzir o consumo de água. As águas da chuva são armazenadas, e as águas cinza tratadas e também armazenadas. Depois de tratada toda a água é utlizada nos banheiros, irrigação dos campos e ar condicionado.

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Arena Fonte Nova – A obra foi concedida à arquitetos alemães em colaboração com o TETRA Arquitetura de São Paulo. Os alemães ganharam o concurso proposto pelo governo da Bahia em 2008, competição criada a fim de escolher a melhor proposta para a revigorização do estádio de Salvador, desabado parcialmente.

Com uma forma de ferradura – com a abertura na parte sul das arquibancadas -, e em combinação com aspectos modernos da obra, o estádio ganha características sustentáveis. A abertura dá circulação ao ar, assim como se relaciona com o lago adjacente. A geometria da estrutura da cobertura cumpre seus requisitos funcionais – linhas de visão, proteção solar, drenagem, e cargas de vento. Ela foi projetada em colaboração com RFR, de Stuttgart, e sua nova concepção, com seus sistema de roda com raios, membrana perfurada por escoras verticais e ligadas entre anéis de tensão, minimiza o uso de material: pesando 45kg/m², é uma das coberturas de estádio mais leves do mundo.

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por Maria Tebet

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