Alunos em intercâmbio, Séries Especiais

Alegria e calor do outro lado do mundo

Nossa jornada com os intercambistas continua agora, no meio do ano. O primeiro deles foi Jonathan Bosso, que está no Chile. Treze horas de diferença, alguns cangurus e Nemos encontrados depois, chegamos até Maísa Fernandes, a quartanista de Design que foi viver em Sydney, na Austrália, durante o ano de 2014 inteiro.

Maísa está exatamente no meio de seu intercâmbio e, apesar de uma agenda atribulada com a vida universitária, achou um tempinho para nos contar detalhadamente sobre algumas curiosidades em seus muitos dias de calor que já viveu no maior país da Oceania.

Maísa em Coogee Beach Foto: acervo pessoal)
Maísa em Coogee Beach Foto: acervo pessoal)

Como está sendo a vida aí? Incrível! Não tenho nem palavras pra descrever. Apesar de já me sentir “em casa” e já ter me acostumado com o ritmo, tudo ainda é uma novidade… É bem loucura morar fora porque ao mesmo tempo que você é parte do país, muitas coisas te surpreendem a cada dia. É muita informação, aprendizado, experiências novas, pessoas diferentes.

Do que mais tem sentido falta? Comida brasileira, com certeza! Feijão, picanha, pastel, coxinha, mandioca, palmito, queijo minas… Nossa, não gosto nem de citar porque já me dá depressão! E, obviamente, família e amigos. É bem chato ficar longe das pessoas que você gosta, mas eu tento sempre lembrar que tudo passa muito rápido e daqui um ano vou estar sentindo falta da vida e das pessoas daqui também.

O que tem enxergado de mais diferente aí? O estilo de vida do australiano, que é incrível.  Eles são absurdamente de bem com a vida, educados, calmos, felizes, desapegados… Completamente o oposto da loucura numa metrópole brasileira em que todo mundo vive com a cara fechada só pensando em trabalho e esbarrando em todo mundo na rua. Eles sabem aproveitar cada segundo, não ligam pra bens materiais (apesar de terem um padrão de vida alto), vivem na praia e nos parques fazendo piquenique, praticam esportes, saem pra correr a qualquer hora do dia (qualquer hora mesmo! Já vi gente correndo na hora do almoço, às 10 da noite, de madrugada, manhãzinha…), além de serem mega saudáveis.

Outra coisa que achei bem diferente aqui é a relação com bebida alcoólica: não vende álcool no supermercado ou em qualquer estabelecimento. Você só encontra bebida em lojas específicas, chamadas licquor stores ou bottle shops e é tudo muito caro. Além disso, é proibido beber na rua e eles são super rigorosos com quem entra na balada: se eles percebem que a pessoa está minimamente alcoolizada, ela é barrada. Além de expulsarem pessoas a rodo simplesmente porque alguém está andando torto ou apresentando qualquer mínimo sinal de embriaguez. A coisa mais normal é você mandar uma mensagem pra um amigo que estava do seu lado há dois minutos atrás e ele te responder “fui expulso, tô indo pra casa!”.

Byron Bay (foto: Maísa Fernandes)
Byron Bay (foto: Maísa Fernandes)

Como tem sido sua rotina na universidade e fora dela? Em relação aos horários a rotina é tranquila, tenho quatro aulas por semana com duração de três horas cada uma. Mas os trabalhos são bem pesados e os professores muito exigentes, porém absurdamente inspiradores, inteligentes, solícitos, preparados e fazem de tudo pra compartilhar todo o conhecimento que eles têm. A infraestrutura é absurda, você se sente em outro mundo com os laboratórios, oficinas, salas de aula… É incrível. Ou seja, é puxado, mas a universidade te dá todo o suporte que você precisa pra desenvolver e produzir qualquer coisa da melhor forma possível.

Fora da faculdade eu não tenho muito uma rotina. Durante a semana ela é basicamente limitada à uni, trabalhos e às vezes uma festa ou happy hour. No fim de semana varia muito, às vezes rola uns programas de turista, sair pra conhecer partes diferentes da cidade, praias, galerias (uma das minhas partes preferidas de Sydney: a cena artística e cultural), etc. Mas às vezes eu fico tão cansada com o ritmo dos trabalhos que tudo o que eu quero é passar o fim de semana todo na cama atualizando minhas séries e comendo porcaria!

Como tem sido o relacionamento com os estudantes locais? E os intercambistas? Vocês praticam só o inglês ou falam outros idiomas também? Com os gringos, inicialmente, é meio difícil sair daquele “coleguismo” de faculdade. Às vezes você conversa por horas com a pessoa na aula, mas fora da faculdade o relacionamento é praticamente inexistente. Sofri um pouco com isso no começo e só tinha mais contato com brasileiros, mas com o tempo tive sorte de conhecer pessoas incríveis e fazer amigos que quero levar pra vida toda, alguns são intercambistas e outros australianos mesmo. A relação com eles é sensacional, cada dia é um novo aprendizado. Eu amo as visões de mundo que cada um tem e as experiências de alguém que viveu a vida toda num país completamente diferente do seu… Eles me ensinam muito a cada dia e ao mesmo tempo adoram saber mais sobre o Brasil. Com eles eu falo só inglês mesmo, mas estamos sempre aprendendo coisas diferentes nas línguas uns dos outros.

Você enfrentou algum problema na Austrália? Como resolveu? Num país diferente do seu qualquer coisa que saia dos planos vira um pepino enorme, pois é tudo muito diferente e o fator da língua às vezes complica bastante a vida, mas aqui tudo funciona muito bem, as burocracias são reduzidas e todo mundo é muito preparado pra te ajudar.

O único grande problema que eu enfrentei que consigo me lembrar agora foi no começo do ano, com a grade das minhas aulas. Me matricularam em duas matérias iguais que tinham nomes e professores diferentes, mas com a mesma ementa, os mesmos trabalhos, tudo igual. Teoricamente nós só tínhamos uma semana pra arrumar qualquer problema com a grade, mas uma das aulas iguais era na sexta feira… À noite. Ou seja, quando descobri a cilada, não dava mais tempo de mudar. Entrei em desespero achando que seria obrigada a fazer dois projetos iguais e ouvir as mesmas coisas duas vezes por semana. Na segunda feira fui ao International Office da faculdade, expliquei a situação e consegui mudar uma das matérias. Clássica situação em que a gente se preocupa achando que vai dar tudo errado, mas no final acaba sendo mais simples do que imaginávamos.

Com relação à alimentação, Brasil ou aí? Por quê? Em relação à variedade, comidas gostosas, tempero e sabor com certeza o Brasil ganha disparado. A variedade de comida aqui é limitadíssima, além de ser tudo muito caro. Mas em relação à qualidade da alimentação, a Austrália sai na frente. Os alimentos aqui são muito mais saudáveis, além da transparência da indústria alimentícia em relação a ingredientes “nocivos”. As comidas aqui têm muito menos conservantes, quase todas tem teor de gordura reduzido e centenas de alimentos integrais nas prateleiras do mercado… Eles são bem conscientes com isso.

Vista da Harbour Bridge com a Opera House (Foto: Maísa Fernandes)
Vista da Harbour Bridge com a Opera House (Foto: Maísa Fernandes)

Como está sendo a preparação para a Copa, já que a Austrália também é um país que participará? Os australianos não ligam muito pra futebol, não. Eles são bem mais apaixonados por Rugby, que é o esporte mais popular aqui. Mas como na Austrália tem muito estrangeiro e muitos deles são brasileiros, europeus e vindos de países com uma cultura de futebol forte, o pessoal tá bem animado.  Entretanto vai ser estranho, porque os jogos aqui vão ser todos as 5, 6 da manhã.

Uma coisa que acho engraçada aqui é que nos últimos tempos sempre quando falo que sou do Brasil a pessoa diz: “nossa, mas que triste, você não vai estar lá pra ver a Copa”, como se fosse um super motivo pra permanecer no Brasil e como se todos os brasileiros fossem ver todos os jogos nos estádios!

Antes de viajar, perguntamos suas expectativas para o país. Agora queremos saber se elas foram cumpridas. Com certeza. Especialmente aquelas ligadas à faculdade. Estou tendo contato com áreas do Design que eu não tinha no Brasil e tendo a oportunidade de aprender muita coisa interessante que com certeza está me ajudando bastante a ter uma ideia mais clara sobre o que eu quero fazer profissionalmente. A convivência com pessoas diferentes e vivenciar uma rotina nova também está sendo sensacional!

O que você espera da outra metade do intercâmbio? Espero pegar matérias ainda mais inspiradoras e ainda não desisti da ideia de encontrar pelo menos a sementinha do meu TCC por aqui. Quero continuar conhecendo pessoas bacanas, fazendo amizades e ainda pretendo viajar muuuito! Acho que esse segundo semestre vai ser bem diferente e melhor do que o que passou, pois já me adaptei à cidade e acho que vou aproveitar bem mais as experiências. A cada dia que passa consigo me desapegar mais das coisas que deixei no Brasil e acho que esse é um passo importante pra você conseguir aproveitar 100% dessa nova vida! 

por Mayara Abreu Mendes

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