Alunos em intercâmbio, Séries Especiais

De volta aos Andes

Conhecer novas pessoas, viver experiências únicas e ter contato com culturas diferentes são alguns dos muitos benefícios que um intercâmbio pode proporcionar. O choque cultural, a saudade, e um sentimento de solidão também podem ser os companheiros nessa viagem.

Quais dificuldades, experiências e dicas os intercambistas podem compartilhar? Daremos continuidade às entrevistas feitas com alunos que estavam prestes a sair do país no começo desse ano. Hoje, estamos de volta aos Andes. Jonathan Bosso, do 3º ano de Relações Públicas, conta como está sendo seu intercâmbio no Chile, com previsão de volta para julho. Confira a entrevista:

Você acredita que a viagem de intercâmbio está atingindo suas expectativas? Creio que a maioria das expectativas foram muito mais do que atingidas. As três primeiras semanas aqui foram uma fase de adaptação, então foi muito difícil para mim porque eu tinha saudade da minha família e eu estranhava bastante algumas coisas. Santiago é uma cidade muito grande e eu nunca tinha morado em uma cidade grande antes. A minha cidade era muito pequena, com 50 mil habitantes, então é uma coisa muito diferente você ir para uma cidade onde tem metrô, que tem corre-corre, que tem correria, tem milhões de pessoas vivendo aqui. Então é muito louco, ainda mais em uma língua diferente. Uma língua que você mal sabe falar direito porque por mais que você tenha feito aula no Brasil, quando você chega aqui parece que você não sabe nada. A única coisa seria o espanhol que eu poderia ter desenvolvido mais, só que por eu ter feito muitas amizades com brasileiros aqui isso dificultou um pouco.

Jonathan Bosso (Foto: acervo pessoal)
Jonathan Bosso (Foto: acervo pessoal)

Como está sendo sua adaptação à cultura do Chile? A cultura do Chile tem muitas particularidades, coisas engraçadas, coisas que para nós brasileiros é muito estranho, mas eu acho que minha fase de adaptação à cultura do Chile realmente foi nas minhas três primeiras semanas aqui no país. Tem muita diferença, tanto na maneira de comer como no tempero da comida, que é como se faltasse sabor, tempero, e muitas comidas eu tenho que colocar sal porque falta muito. E a questão de tomar banho, porque aqui a maioria das casas toma-se banho na banheira e de pé. Eu creio que também a maneira como eles falam o espanhol porque por mais que a gente aprenda espanhol no Brasil, a maioria das escolas de espanhol ensinam o espanhol da Espanha e o espanhol chileno é muito diferente. Também tem o “chilenismo”, que é uma adaptação do espanhol que os chilenos fizeram, então além de aprender o espanhol você tem que aprender o “chilenismo”, que é um linguajar diferente, que seriam as nossas gírias no Brasil. Mas eu acho que eu esto me adaptando muito bem, sim. Apesar de tudo, eu estou encarando como uma coisa nova, uma coisa diferente, e estou levando bem na esportiva mesmo e, como eu disse, gosto de experimentar coisas novas, lugares novos, então está sendo muito bacana para mim.

Com essa grande diferença, você está tendo problemas com a língua? Bom, realmente tem muitas palavras que são parecidas e isso dificulta bastante até porque minha maior dificuldade está sendo a acentuação, por mais que eu saiba falar em espanhol, ler em espanhol achando que está correto, os meus professores aqui estão falando que meu espanhol está bom, só que eu ainda falo com acentuação portuguesa. Então isso dificulta muito, porque é instintivo. A gente acaba falando as palavras com a acentuação do português e nem percebe, então isso é muito complicado.

Como está sendo sua rotina na faculdade? A minha rotina na faculdade está sendo bem leve, até porque antes de vir para cá tinha escolhido sete matérias para fazer. Eu achava que estava bom porque é o que a gente faz normalmente no Brasil. Só que foi meio imprudência minha porque a gente está em outro país, é tudo novo pra gente, é uma língua nova. Por mais que a gente tenha feito aula no Brasil de espanhol aqui é tudo diferente, você acaba não entendendo direito as coisas. Mas quando a gente chega aqui, os próprios responsáveis pela faculdade falam para gente pegar no máximo quatro matérias, porque realmente é muito complicado. A gente pode mudar as matérias, pode parar de fazer algumas matérias e escolher outras também pra fazer. 

Mas a minha rotina está sendo bem leve, eu tenho só três matérias, além de uma que é de espanhol pra estrangeiro e outra que é ligada à cultura. Os meus horários eu que posso escolher, então é bem tranquilo. Minha rotina tem sido bem diferente que no Brasil. Lá era uma loucura e aqui estou bem sossegado.

(Foto: acervo pessoal)
Jonathan Bosso (Foto: acervo pessoal)

O que você gosta de fazer no seu tempo livre? Gosto de sair bastante, nem se for para ir a um restaurante novo, comer uma comida diferente. Gosto também de sair com o pessoal, com meus amigos, ir à casa de um assistir a um filme ou ir ao cinema, fazer tracking e viagens também. Sempre que eu posso estou viajando para algum lugar daqui. Eu já fui para uma cidade aqui perto, para um retiro que foi muito legal. Já fui para Patagônia, e  planejo ir para Mendoza na Argentina. Também quero fazer um mochilão para o Peru e para o Deserto do Atacama. Então, sempre que eu posso, estou tentando conhecer lugares novos, diferentes, e não ficar parado. 

Você tem alguma dica pra quem vai ou gostaria de fazer intercâmbio pro Chile? (…) Quem vier para o Chile tem que aproveitar muito para viajar bastante aqui e conhecer todo o país. Não é caro, então quando você puder viajar, viaje mesmo. Tem ônibus para outras cidades, você pode ir de ônibus e é até mais legal porque você acaba passando pela Cordilheira, vendo paisagens maravilhosas que de avião você acaba nem vendo.

Não fique desesperado quando você vier para o Chile porque o espanhol daqui é muito ruim. Eles falam que é o pior espanhol de todos para você entender, mas tem que pensar pelo lado positivo. Se você entende o pior espanhol você vai conseguir entender o melhor! Então, você será bem treinado no espanhol. No começo você vai acabar não entendendo nada, mas aos poucos você vai pegando. 

Principalmente pra quem mora em cidade pequena como Bauru, do interior do Brasil, aqui tem muita coisa para fazer, como se você morasse em São Paulo mesmo. Tem muita festa, toda semana. E uma dica que eu dou é a que eles chamam de “Fiesta Miércoles Po”, uma festa onde estrangeiro não paga para entrar. Então você pode ir na festa de graça toda semana. Aproveite que tem muita coisa boa para fazer aqui e não perca tempo!

por Beatriz Costa

Anúncios

Deixe seu comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s