Alunos em intercâmbio, Séries Especiais

Aventuras de uma jornalista em Chicago

Hoje voltaremos a fazer algo que os membros antigos e fundadores deste blog costumavam fazer lá nos tempos primórdios de 2010. Todos sabemos que, em todo semestre, ao menos um aluno da FAAC viaja para o exterior para fazer parte de sua graduação. A gente sabe que isso acontece, claro. Mas muito raramente ficamos sabendo as histórias desses intercâmbios, não é? Por isso, nós da ACI vamos ligar os holofotes nesses corajosos que abandonam seu país de origem para se aventurar por todos os cantos do mundo.

A escolhida para estrear esses posts esporádicos é a aluna do segundo ano de jornalismo noturno, a Fabiane Fernandes Carrijo. Fabiane tem 19 anos e já viajou para alguns países do mundo como turista. Porém, pela primeira vez, está vivendo a experiência de morar longe de seus pais para estudar por um longo tempo.

Tudo começou com a Unesp mandando aqueles e-mails sobre intercâmbio que costumam mandar. Fabiane abria as mensagens na sua caixa de entrada para procurar algum edital que se encaixasse em seu perfil. Foi quando o Ciências Sem Fronteiras disponibilizou uma vaga para os Estados Unidos cujos pré-requisitos foram atingidos por ela que a loucura em busca da documentação começou. Quatro meses depois, Fabiane já tinha recebido uma resposta positiva com relação ao curso e à bolsa de estudos.

Aí só faltava embarcar. No dia 23 de junho, a bauruense deixou o Brasil para ficar longe de quase todos que ama por catorze meses. Quase cinco meses depois, Fabiane contou para a gente detalhes dessa experiência incrível em terras estadunidenses em uma entrevista que você confere agora:

Como foi o processo de preparo para a viagem até chegar o dia de embarque?

Na verdade ainda havia uma comunicação muito intensa com a CAPES até pouco tempo antes da viagem, parecia que não ia acontecer, sabe? Cerca de dois meses antes chegou a confirmação da Universidade e ai foi só o tempo de encerrar o semestre e fazer as malas. Meus pais ficaram super felizes e me apoiaram muito em todo processo de tirar o visto, etc.

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Chicago começando a deixar o inverno chegar. Foto: Luiz Henrique Barboza

Como você foi parar em Chicago?

O próprio sistema da CAPES oferece os alunos para as universidades e acabei sendo alocada pela Loyola University Chicago. Não escolhi, mas também acho que não poderia ter escolhido melhor.

Como está sendo essa experiência de vida acadêmica no exterior?

Está sendo incrível. Eu já tinha feito outro intercâmbio para o Reino Unido, mas essa experiência dentro de uma Universidade tem sido única.
A Loyola possui uma estrutura que eu jamais teria acesso no Brasil. A gama de aparelhos, estúdios e possibilidades técnicas de se fazer um bom trabalho eu jamais teria no Brasil, nem em uma universidade privada.

A estrutura de restaurantes e esportiva da universidade também é impressionante – comida boa por um preço justo, comparado ao padrão de Chicago, que é bem caro; e a oportunidade de estudar e continuar se preparando como atleta. A estrutura oferecida aqui permite formar atletas de alto rendimento sem nenhum prejuízo acadêmico.

A questão aqui é ter vontade e os alunos correspondem muito bem.

Em uma cidade do tamanho de Chicago, cada dia eu descubro uma coisa especial e diferente. Gente de toda parte do mundo vive aqui e os americanos, dentre todos os seus defeitos, tem o mérito de terem construído um país que deu certo. A determinação do americano é algo impressionante e que motiva. Eles não querem ser o número 2, eles treinam para serem os melhores (isso pode ser um defeito algumas vezes, mas acho que na maioria das vezes é a maior virtude deles).

Como é sua rotina diária?

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Museu da Comunicação em Washington DC, o Newseum. Foto: Priscila Armijo

Muitos projetos, muito estudo. A minha carga aqui na Universidade é muito intensa, tem que ser bem organizada pra poder aproveitar a cidade também. Não existe uma grade fixa de horários, cada um escolhe suas aulas e monta seus horários. Tem dias que tenho aula 8 horas da manhã, tem dias que só tenho às 4 da tarde.

A minha universidade possui dois Campus, um em Lake Shore e outro em Downtown. Eu moro em Lake Shore, mas minhas aulas são todas no centro. Virei uma especialista em pegar metro e ônibus.

Tem muitos brasileiros por perto? Com quais outras nacionalidades você tem entrado em contato?

Sim, muitos, quase 30. Moramos todos na mesma residência internacional com mais muitos chineses, coreanos, irlandeses, mexicanos, árabes, africanos e indianos.

O que você costuma fazer nos finais de semana?

Eu tenho duas aulas práticas, então eu faço reportagens na área de cultura, basicamente. A parte legal é que o curso de jornalismo permite que você conheça lugares incríveis e estar fazendo seus trabalhos ao mesmo tempo. Eu vou sempre ao teatro, assistir festivais, maratonas… De tudo um pouco. Me divirto bastante.

As pessoas de outros cursos têm um fim de semana normal, na balada, etc.

Além de Chicago, conheceu outros lugares dos EUA durante sua estadia até agora? Pretende conhecer quais lugares?

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Griffith Observatory durante a viagem em Los Angeles. Foto: Rafael Rodrigues

Sim, minha universidade nos levou/levará para quatro destinos diferentes: já fui para Washington DC e Los Angeles/ Santa Monica no primeiro semestre e vou para Nova York e New Orleans em março e maio, respectivamente. As festas de fim de ano vou passar com o meu namorado, que também está fazendo CSF, em Orlando e Miami, e o resto ainda não tá programado, mas não falta vontade!

Como está sendo exercer o jornalismo em terras estadunidenses?

Foi como praticamente começar do zero: outra língua, outra dinâmica, outro estilo de se fazer jornalismo. A primeira semana foi desesperadora,  mas hoje me sinto mais preparada e segura pra fazer jornalismo em qualquer  outro lugar.

Quais são as maiores dificuldades de fazer parte da graduação fora do país?

Eu sou natural de Bauru e nunca tinha saído de casa por mais de um mês e quando eu cheguei aqui mudou tudo. A língua, o clima, a maneira de lidar com os professores, colegas, público, tudo muda. A saudade de casa vai chegando conforme os meses passam, mas é muito mais gratificante do que difícil.

Como essa experiência tem mudado você?

Passei a ver coisas que antes, cega pela rotina, talvez passassem despercebidas. Hoje eu presto muito mais atenção às diferentes realidades que nos cercam e às diferentes histórias que se escondem atrás de cada ser humano que cruza nosso caminho e, às vezes, a gente nem percebe.

Qual o melhor conselho que você pode dar para alguém que queira tentar algo parecido?

Se jogue de cabeça. Não tem nada melhor que se desafiar e esse é o melhor jeito de se conhecer.
Em um intercâmbio tão longo, é como se você se colocasse em carne viva e se tornasse uma pessoa muito mais sensível a todas as coisas que estão ao seu redor, e é isso que nos faz crescer.

 

Por Mayara Abreu Mendes

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