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Agronegócio: muito além da semente – parte 2

Na primeira parte desse texto, contamos como foi o ciclo de visitas e palestras do sexto prêmio de jornalismo realizado pela ABAG/RP. Os estudantes que quisessem, poderiam começar a fazer suas produções para concorrer ao prêmio. Porém, uma segunda parte ainda estava por vir…

Foto: Mayara Abreu Mendes

Partimos na quarta-feira, dia 21 de agosto, logo pela manhã, para mais uma jornada de três dias de visitas e palestras. Desta vez, o ciclo seria voltado à mecanização e à sustentabilidade. Nosso primeiro destino foi Sorocaba, onde visitamos uma das maiores empresas do setor maquinário agrícola: a Case, vinculada ao grupo FIAT, cujo enfoque é a fabricação de máquinas para qualquer tipo de produtor rural: do pequeno ao grande. As últimas tecnologias em equipamentos e processos de produção podem ser encontradas na sede da fábrica em Sorocaba, onde, além das máquinas, são produzidos componentes para outros mecanismos fabricados em outras unidades da empresa.

No segundo dia, os estudantes de Bauru e alguns de São Paulo acordaram cedo e viajaram até Matão para conhecer a empresa Baldan Implementos Agrícolas, que produz máquinas voltadas ao cultivo e plantio. A Baldan é uma das mais tradicionais empresas no ramo de maquinário agrícola: ela foi criada em 1928 por uma família de imigrantes italianos. Hoje, com modelo de gestão profissional e não mais familiar como no passado, a Baldan já está consolidada entre as maiores do segmento no Brasil.

Além de visitar as etapas de produção dos maquinários, passando, por exemplo, pela pintura de equipamentos, soldagem e pelo supermercado de peças, estivemos em contato com o pessoal do marketing, que nos deram mais detalhes sobre a empresa e sua história, bem como seu atual funcionamento.

Foto: Mayara Abreu Mendes

No período da tarde, nos dirigimos para São Carlos para conhecer uma das sedes da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Embrapa: a Fazenda Canchim. Um dos focos dessa unidade da empresa é buscar a sustentabilidade econômica, ambiental e social na pecuária. Por isso, está sendo desenvolvida uma pesquisa no Brasil todo para descobrir que tipo de terreno é ideal para a realização da pecuária de forma que não agrida o meio ambiente. A ideia é fazer com que a pecuária não seja mais vista como vilã do efeito estufa e, para isso, estão testando quatro ambientes com variações de três elementos: lavoura, pecuária e floresta.

Foto: Mayara Abreu Mendes

A pesquisa começou em 2011, com sedes em todas as regiões e terrenos do país e terá duração de quatro anos. Os pesquisadores analisam os gases produzidos em terrenos diferentes e suas danificações em diferentes níveis do efeito estufa. Eles fazem a medição com câmaras de produção de carbono e de alteração de temperatura nos quatro ambientes. A pesquisa tem importância nacional e internacional: o Brasil não tem dados próprios relacionados à pecuária e, por isso, são usados dados do exterior, o que dificulta a análise do território nacional, que tem uma ampla diversidade de terrenos e climas.

No período da noite, na área de convenções do hotel, os alunos participantes assistiram a duas palestras. A primeira delas foi proferida por Patrícia Milan, diretora executiva da ABAG/RP. Ela falou sobre a infraestrutura e logística da associação. Em seguida, o gerente de comunicação da Associação Nacional de Defesa Vegetal (ANDEF), Antonio Moreira, contou como ele se inseriu na área do agronegócio. A princípio, disse que não imaginava trabalhar nesse ramo quando universitário, incentivando os alunos presentes a começar a pensar nesse setor como uma chance de trabalho. Além de falar sobre jornalismo, Antonio abordou abordou o agronegócio em si, contribuindo com dados informações do setor.

No terceiro e último dia, pela manhã, a visita foi ao Centro de Tecnologia Canavieira, o CTC, em Piracicaba. Jaime Finguerut, diretor de pesquisa e desenvolvimento, deu sua palestra sobre o próprio centro e como ele se estrutura, além de dar explicações técnicas e gerais sobre a cana de açúcar. O CTC, fundado em 1969, é o maior centro de pesquisa canavieira do mundo e trabalha com o desenvolvimento de variedades de cana para a obtenção de açúcar, etanol e energia. A tecnologia é a chave principal de trabalho do CTC atualmente e envolve diversas áreas, como genética, sistemas de plantio, colheita, manejo de lavouras e no processo industrial.

Foto: Mayara Abreu Mendes

No período da tarde, a visita foi ao campus da USP em Piracicaba: a Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, ESALQ. Lá, no auditório do pavilhão da engenharia, assistimos a duas palestras. A primeira delas foi dada pelo ex-ministro da agricultura (2003-2006) Roberto Rodrigues. Formado engenheiro agrônomo pela própria ESALQ em 1965, Roberto é um dos maiores nomes do setor do agronegócio no Brasil, sendo, atualmente, coordenador do centro de agronegócio da Fundação Getúlio Vargas e pesquisador visitante do Instituto de Estudos Avançados na USP.

Em uma palestra descontraída com o tema “Agronegócio: cenário atual e perspectivas”, Roberto falou sobre a participação do Brasil no agronegócio e sobre o futuro do país nessa área. Ele comentou sobre a importância do desenvolvimento do setor no país, dizendo que “a agricultura está no coração das cadeias produtivas” e que a tecnologia usada no Brasil é sustentável, o que é um diferencial. Roberto finalizou ressaltando a importância de acordos bilaterais de comércio para o crescimento do país e que “para crescer mais, o Brasil precisa de infraestrutura e logística”.A última palestra foi dada pela jornalista Flávia Romanelli, que é uma das assessoras de imprensa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada – o CEPEA. Ela explicou um pouco sobre o que é CEPEA e falou sobre o trabalho da assessoria de imprensa na área. O centro de estudos foi criado por docentes da ESALQ com o intuito de gerar conhecimento de base científica na área do agronegócio e formar profissionais preparados para atuar tanto no mercado de trabalho, quanto em instituições governamentais. O centro é financiado por empresas privadas parceiras e organizações privadas e, através de pesquisas feitas todos os dias sobre as principais matérias-primas da agricultura, da pecuária e seus derivados, são elaborados indicadores de valores de insumos, serviços e produtos que refletem precisamente o movimento do mercado.

Por fim, Flávia, formada em jornalismo pela Unesp de Bauru, explicou um pouco sobre suas funções dentro do CEPEA e desmitificou a ideia de que apenas nas grandes capitais é possível conseguir emprego em jornalismo. Ela contou que a parte de comunicação do centro funciona como uma assessoria de imprensa, trabalhando com comunicação interna e externa, fazendo releases, promovendo eventos e estabelecendo contato frequente com outros meios de comunicação.

Com o fim dos dois ciclos, os estudantes já têm uma boa base para produzir seus materiais no formato de sua preferência (vídeo ou texto) e publicá-los em algum veículo de comunicação. Os participantes do prêmio têm data limite para enviar suas produções: as inscrições devem ser feitas até o dia 25 de outubro, com os documentos especificados no site do prêmio, e os materiais devem ser publicados até o dia 20 de outubro.

Julgamos a experiência que tivemos muito enriquecedora tanto para nosso conhecimento jornalístico quanto geral. Vivemos em um país histórica e fundamentalmente baseado na agricultura e por muitas vezes não temos a noção do que significa essa prática não apenas para a economia nacional e mundial, mas para que possamos executar tarefas habituais como nos alimentar, nos vestir ou dirigir. Conhecer o “outro lado” da questão é fundamental para concluirmos que o agronegócio, praticado com ética e responsabilidade, é algo essencialmente positivo para a sociedade.

Por Estevão Rinaldi e Mayara Abreu Mendes

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