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Nova professora de Técnica Redacional

Confira na íntegra a entrevista com a professora Érika de Moraes, nova responsável pelas disciplinas de Técnica Redacional I, II, III e IV (Radiojornal, Impresso, Telejornal e Texto Digital).

1. Você é formada em Jornalismo e em Letras, como você acredita que essas duas carreiras se complementam? Como você pretende aplicar esses conhecimentos na disciplina de Técnica Redacional?

Interessei-me pelas duas graduações porque sempre gostei de comunicação e linguagem, que, aliás, estão muito próximas. Meu sonho de juventude era ser jornalista, mas, já na graduação, apaixonei-me pelos estudos de Linguística, especialmente pelas conexões com a comunicação que o professor Manoel Corrêa expressava tão bem (ele foi meu professor na graduação na Unesp e, atualmente, está na USP). Percebi que eu poderia ir além. Hoje, acredito que essa conexão é fundamental para a Técnica Redacional, afinal, toda prática deve ser bem respaldada. Não queremos formar apenas técnicos, embora o domínio das técnicas seja importante, mas profissionais capazes de refletir criticamente sobre a prática. Essa formação complementar traz subsídios fundamentais para essa reflexão.

2. Você pode me explicar  sobre sua especialização em Linguística?

No mestrado, estudei o discurso jornalístico dirigido para a criança, analisando a extinta Revista Veja Kid+. A interrupção da publicação, na época, foi um dado que corroborou o que minha análise vinha apontando: a revista não falava a mesma linguagem de seu público, a criança estava à frente dela. Percebe-se muito isso no discurso para a criança, em diversas situações: muitas vezes, querem educá-la à maneira das cartilhas, subestimando sua capacidade, inclusive de interagir com o lúdico. E isso pode não se mostrar evidente no tema (conteúdo), mas no tratamento da linguagem, que pode ser mais simplificada (chegando a ser simplória) do que a utilizada pela criança. Além disso, os estudos permitiram problematizações sobre a prática da comunicação e do jornalismo, de um modo mais abrangente.

Já no doutorado, busquei aprofundamento na questão dos estereótipos culturais que moldam os discursos da sociedade. Estudei, então, através de charges de Maitena, Miguel Paiva (Radical Chic) e Adão Iturrusgarai (Aline), como a imagem da mulher é projetada no discurso. A questão do humor é interessante porque, embora evidentemente se baseie em exageros, permite enxergar a sociedade com uma lente de aumento, nos entrelugares em que aparecem os discursos supostamente proibidos nessa era que busca o “politicamente correto”. Com o olhar de analista do discurso de linha francesa, que é a minha principal formação teórica, é possível perceber muito mais do que marcas de machismo, mas uma sociedade em conflito com suas identidades de gênero. São questões de interesse da comunicação que, afinal, lida diretamente com cultura e sociedade, discutidas a partir de um lugar, o do discurso, que revela marcas materiais sobre as visões de mundo sobre as quais comunicamos.

3. Além de suas especializações, qual é a sua experiência profissional no mercado?

Passei os últimos sete anos em uma redação de revistas (Alto Astral), o que me permitiu um conhecimento muito mais amplo a respeito do mercado e da prática da profissão (fui redatora e editora). Por pequenos períodos, também fiz cobertura de férias em emissora de TV, atuando como repórter, apresentadora e editora. Eventualmente, também produzi matérias e artigos publicados em jornais. Nunca perdi o gosto pela profissão de jornalista, por isso, tenho muita satisfação em unir esses meus dois lados (o de educadora e o de jornalista) através do ensino para os cursos de comunicação. Também tive um contato bastante direto com os profissionais de Relações Públicas. Especialmente em revistas, com a questão da segmentação de públicos, as pesquisas com o leitor são fundamentais para o processo.

 Nos últimos quatro anos, paralelamente ao trabalho na Editora Alto Astral, também fui professora dos cursos de Jornalismo e Relações Públicas da Universidade do Sagrado Coração, onde também ministrei aulas na pós-graduação em Comunicação nas Organizações.

4. Qual é a sua relação com a Unesp? E como se sente voltando agora como professora?

 Fui aluna na graduação em jornalismo. Depois, em tempos diferentes, ministrei aulas como professora substituta na mesma Unesp. Comecei a dar aulas ainda durante o mestrado. Foram experiências muito positivas que me trouxeram a certeza de que eu queria continuar. Hoje, com o doutorado, mais pesquisas realizadas e mais experiência de mercado, sinto que tenho uma boa bagagem para compartilhar com os estudantes.

5. Quando surgiu sua vontade em ministrar aulas? Como é seu contato com os alunos? 

Em boa medida, acredito que a admiração a muitos professores excelentes que tive (muitos deles ainda hoje na Unesp!) instigou essa vontade. O professor Manoel Corrêa teve uma grande parcela de “culpa”. Como eu disse, o sonho de infância e juventude era ser jornalista. Sem abandonar esse sonho, desde a graduação, tive a inquietação de ir além, de buscar mais respaldo para pensar o jornalismo e a comunicação além do olhar meramente prático, mas totalmente afetado por posicionamentos discursivos. Pode-se pensar que a prática da profissão e os estudos discursivos são coisas distantes, mas basta descobrir a relação (e a consequente inquietação) para ver o quanto ela é apaixonante. Gosto de pesquisa, de ensino e gosto da profissão. Por isso, acredito que me encontro junto aos estudantes de comunicação. Da relação com meus ex-alunos, ficaram ótimas amizades. De alguns, até fui colega de trabalho na Editora. E que venham novos alunos queridos!

Diretor da FAAC recebe a nova professora
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