Oportunidades

Será que eu quero ser professor?

Essa é uma dúvida que passa pela cabeça de muitos estudantes durante a graduação: seguir a área acadêmica ou atuar no mercado? De um lado, temos o conhecimento constante proporcionado pelas pesquisas de mestrado, doutorado, pós-doutorado, etc. Do outro, a oportunidade de por em prática o conteúdo que se aprendeu nos anos de Universidade. Como se não bastassem, junta-se a isso a pressão de se estar com o diploma nas mãos e… Desempregado. Afinal, você quer ou não ser professor?

A professora Thaís Ueno, do Departamento de Artes, dá aulas nos cursos de Design e Matemática na Unesp de Bauru. Em entrevista, contou como decidiu seguir a área acadêmica depois de ter atuado em empresas como a Folha de São Paulo.

Quando percebeu que gostaria de seguir a área acadêmica?

Esse desejo surgiu aos poucos, depois de alguns anos trabalhando profissionalmente. Percebia que, quando a gente trabalha em algo, aprende tudo o que pode até chegar a
certo ponto, que eu chamo de “ponto ótimo”. A partir disso, alguns aspectos se tornam menos desafiadores. É claro que o mercado está em constante evolução e que as empresas precisam se atualizar, mas em nossa região esse ritmo é um pouco mais lento que nas capitais.

Além disso, sinto uma necessidade constante de adquirir mais conhecimento, que fica mais evidente na vida acadêmica. Quanto mais você pesquisa e aprende, percebe que tem ainda muito mais para pesquisar e aprender! É um desafio constante! Além disso, eu gosto muito do contato com os estudantes, pois sinto uma grande troca de energia durante as aulas, o conhecimento fluindo, sendo absorvido por todos e transformado em resultados surpreendentes. É muito gratificante!

Você chegou a atuar na área?

Sim. Antes de me formar como Desenhista Industrial, fui estagiária em uma empresa de fotografia, e depois efetivada. Trabalhava com restauração e tratamento de fotografias e criação de identificações funcionais. Depois, trabalhei em uma gráfica como arte-finalista, e em uma editora de Bauru, como diagramadora de sua revista.

Além disso, prestei alguns serviços como freelancer, criando identidades visuais para empresas e diagramando várias edições da Revista Educação Gráfica, da FAAC.

Todas essas experiências foram de suma importância para a ampliação de meu repertório como profissional, mas a mais relevante foi meu período como trainee da Folha de São Paulo, quando pude vivenciar diversos aspectos da criação e preparação de um jornal de qualidade e alcance nacional. Pude entrar em contato com muitos profissionais que tinham consciência da importância da aplicação de um bom design visual e do aspecto prático de resolução rápida de problemas. Entretanto, essa oportunidade surgiu na mesma época em que estava iniciando meu mestrado em Design aqui na UNESP, e tive que fazer uma escolha: São Paulo/vida profissional X Bauru/vida acadêmica.

E como começou sua experiência como professora?

Foi durante o mestrado, quando optei por ficar em Bauru e investir nisso, após o período na Folha de São Paulo. Em 2001, iniciei como professora conferencista no Departamento de Artes e Representação Gráfica e, nessa mesma época, fui professora do curso Técnico em Design de Interiores do SENAC.

Em 2002, fui chamada para compor o corpo docente do curso recentemente criado de Bacharelado em Design do IESB/PREVE – Instituto de Ensino Superior de Bauru, além de ter atuado como Coordenadora do Curso.

Também fui docente do curso de Design da FAAL – Faculdade de Administração e Artes de Limeira, onde pude vivenciar a realidade de outro público e outras necessidades regionais.

Hoje, quais matérias você leciona e em quais cursos?

Leciono as disciplinas Desenho I, II, III e IV, no curso de Design e também as disciplinas Desenho Geométrico e Geometria Descritiva no curso de Licenciatura em Matemática.

Na sua opinião, quais são os pontos positivos da área acadêmica?

A área acadêmica é dinâmica, na busca constante por mais conhecimento, por respostas a perguntas que vão surgindo a medida que se encontram outras respostas, num ciclo sem fim. Além disso, é possível progredir na carreira, trocar experiências com outros pesquisadores em encontros e congressos, e semear a vontade de saber mais nos estudantes.

E os negativos?

Quando há uma dedicação exclusiva a área acadêmica, tem-se pouco tempo disponível para
atuar no mercado profissional. Com isso, afastamo-nos um pouco dessa dinâmica do mercado, das suas necessidades e novidades.

Mariane Bovoloni

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