Oportunidades

Jornalista formada pela Unesp conta experiência no Curso Estado e Curso Abril de Jornalismo

“Para ser jornalista, é preciso ter brilho nos olhos”. Essa é a definição da jornalista Juliana Sayuri que, do alto dos seus 17 anos, ingressou em 2004 no curso de Jornalismo da FAAC, da Unesp Bauru. Se formou em 2007 e resolveu dar continuidade aos trabalhos acadêmicos iniciados durante a graduação em uma Iniciação Científica: foi aprovada no mestrado em História Social na Universidade de São Paulo (USP). A fase de aprovações continuou em 2009 quando Juliana entrou no Curso Estado de Jornalismo (do Grupo Estado) e no Curso Abril de Jornalismo (da Editora Abril).

Os repórteres Marcel Verrumo e Nádia Pirillo, da Agência Faac de Notícias, entrevistaram a jornalista para descobrir curiosidades dos programas de treinamento. Confira a entrevista com Juliana Sayuri, a japonesa que guarda nos olhos puxados o brilho necessário para ser jornalista.

Como foi o processo seletivo para entrar no Curso Estado de Jornalismo?

O processo teve duas fases. A primeira foi composta por uma prova com 50 questões de múltipla escolha, inspirada basicamente em uma retrospectiva sobre os principais acontecimentos de 2008/2009, cobrindo quase todas as “editorias” – cinema, economia, história, internacional, literatura, música, política etc – além de uma redação elaborada a partir de um texto em inglês (no ano passado, a pauta foi o memorial a Michael Jackson). Este primeiro filtro seleciona os 60 melhores, convocados para a entrevista final.

Como são as provas?

A ideia da prova é interessante, pois quer justamente pôr à prova a informação dos jornalistas, quer questionar o quanto sabemos sobre as atualidades. Será que os jovens jornalistas andam bem informados? Será que lêem os jornais todos os dias? Será que sabem como é composto o Senado no Brasil? Ou quais foram os acontecimentos históricos em Cuba aniversariantes em 2009? E entre o Kuwait e o Iraque? Para mim, as questões de política internacional foram as de maior destaque. Entretanto, há questões curiosas, como a idade do jogador Ronaldo.

Como é a entrevista que os 60 aprovados na prova têm que enfrentar?

Na entrevista, você entrega o currículo e uma foto 3×4. Depois de um tempo de conversa, você escolhe um número aleatoriamente, que corresponde a uma fotografia de uma personalidade política. A ela, você deve elaborar uma pergunta inteligente. O senador Aloizio Mercadante foi o meu número da sorte, principalmente em meio à tempestade sobre a renúncia declarada no Twitter.

Qual o momento mais marcante dessa etapa da seleção?

Vivi uma história curiosa: na época, em agosto de 2009,  estava loira. Minha entrevista durou 10-15 minutos, enquanto outros tiveram a chance de se demorar por mais de 40 minutos. Entrei na sala, entreguei o currículo e a foto 3×4 e me sentei. Com minha foto em mãos, Chico Ornellas perguntou: “Quão antiga é essa foto?” Eu disse: “Uns seis meses”. Ele: “Quando você ficará morena de novo?” Eu: “Quando você quiser”. Por fim, ele respondeu: “Pronto, passou. Não há nenhuma resposta minha que supere a sua”.
É claro que, na época, pensei que ele estivesse só brincando. Mas acredito que devo muito de minha entrada no Curso a essa resposta atravessada que, no fundo, ilustra bem minha personalidade. No fim, acredito que é isso o que eles realmente querem: personalidade.

Qual é a dinâmica do curso Estado?

De segunda a sexta, das 9 horas até… Durante as manhãs, temos um programa de aulas de Política, Economia, Ética etc. – o que confere o caráter de “extensão universitária”, reconhecida pela Universidade de Navarra. Além disso, recebíamos convidados especiais de manhã, para fazer entrevistas coletivas. Visitamos o ministro Miguel Jorge, sabatinamos o senador Romeu Tuma, tivemos uma inesquecível semana com o professor galego Paco Sanchez para edição de textos, viajamos de norte a sul do Brasil, para Porto Velho (RO) e para Porto Alegre/Santa Cruz do Sul (RS). À tarde, fazíamos um “rodízio” pela redação do Grupo Estado. Por sorteio, fomos escalados para 5 editorias. Assim, passei por Cultura (Caderno2), Economia, Esportes, Internacional e Educação/Ciência (Vida&). Além disso, fiquei um tempo no caderno Aliás.

Você também fez o Curso Abril de Jornalismo em janeiro de 2010. Como foi a seleção do programa e como funciona o treinamento?

Para entrar no Curso Abril, não há prova. A primeira fase é a seleção de currículos e uma redação que responda à pergunta: quem é você e por que quis ser jornalista. Depois dessa seleção, somos convocados para a entrevista. Enquanto o curso do Estadão dura 3 meses (de setembro a dezembro), o Curso Abril é mais dinâmico: 5 semanas, mas que exigem uma dedicação de 24 horas por dia, 7 dias por semana. Apesar de ter palestras, na Abril o trainee é mais… “O Aprendiz”! Tínhamos uma “missão” a cumprir lá: divididos em 17 grupos, os 89 jornalistas/designers/fotógrafos recebiam um projeto. Eu fiz parte da equipe da revista Info Exame, com a “missão” de criar o projeto editorial nova revista de tecnologia voltada para a classe C, cujo poder aquisitivo está crescendo muito nos últimos anos.

Que dicas você dá aos estudantes que estão se formando em Jornalismo?

Dizem que, para ser jornalista hoje em dia, é preciso ter “sangue na boca”. Eu penso diferente: para ser jornalista ainda é preciso ter “brilho nos olhos”. E um estômago de ferro.

Marcel Verrumo e Nádia Pirillo

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