Extensão

Universidade e participação popular: A Unesp vai a São Luiz do Paraitinga

Muita gente tem dificuldade para entender como aquilo que a universidade faz beneficia a sociedade. Há quem veja o espaço acadêmico como um lugar distante da comunidade, onde tudo o que é discutido e produzido fica só entre os muros das faculdades. Um bom exemplo de que as coisas não são bem assim é a participação da Unesp na recuperação da cidade de São Luiz do Paraitinga, que foi devastada por uma grande enchente no início do ano.

Tudo começou em 2005, bem antes do desastre, com um programa desenvolvido por dois professores da Unesp: os arquitetos José Xaides de Sampaio Alves, da FAAC (Bauru), José Luis Bizelli, da FCLAR (Araraquara). O objetivo era ajudar na gestão pública de cidades paulistas com reduzido Índice de Desenvolvimento Humano. Esse programa incluía a elaboração do plano diretor de São Luiz do Paraitinga, levando em consideração a preservação do meio-ambiente e do importante patrimônio histórico que ela abriga.

O plano diretor foi aprovado em dezembro de 2009. Na virada do ano, pouco menos de um mês depois, veio a enchente do Rio Paraitinga: dezenas de famílias ficaram sem moradia, e muitas casas do patrimônio histórico da cidade foram destruídas. “Como a gente já mantinha esse vínculo com a cidade, as primeiras pessoas que a prefeitura procurou para ajudar fomos nós”, explica o professor Xaides. “Nós fizemos um diagnóstico com os gestores da prefeitura identificando as áreas emergenciais que a cidade tinha e em que a Unesp teria condições de dar um apoio.”

Foi assim que nasceu o Programa Unesp para o Desenvolvimento Sustentável de São Luiz do Paraitinga, que envolve os campi de Bauru, Guaratinguetá, Itapeva, Assis, Franca e Araraquara. O projeto busca auxiliar a cidade em várias áreas, como hidrologia, desenvolvimento sócio-econômico, estradas rurais e pontes, psicologia e direito público. Além de atuar na coordenação geral do programa, o professor Xaides é responsável pela área de assessoria à gestão do plano diretor participativo, que dá continuidade ao trabalho que já vinha sendo feito antes da enchente. É dessa área que a FAAC participa.

O trabalho com o plano diretor conta com doze alunos bolsistas, que fazem viagens periódicas a São Luiz do Paraitinga para planejar e desenvolver os projetos. As atividades dos estudantes são variadas, abrangendo, por exemplo, a reforma de edifícios perdidos, a construção de espaços públicos, a ampliação de habitações populares, a proteção ao rio Paraitinga e o plano de mobilidade urbana de São Luiz.

Para o professor Xaides, a participação no programa beneficia os alunos em vários pontos. “Eles se envolvem nas discussões, na realização de projetos. Isso tem possibilitado a eles o aprendizado prático e teórico de discussão com os gestores, de ter um contato direto com os problemas sociais da cidade, entender as dificuldades da gestão pública e particular.”

Xaides ressalta ainda que uma das principais características do programa é o envolvimento da população da cidade no desenvolvimento desses trabalhos. “O que interessa é que os alunos passem por toda uma abordagem de compreender a importância da participação popular nesse processo de planejamento e gestão da cidade. A nossa intenção que esse trabalho sirva para que todo esse conjunto de coisas que estão sendo trabalhadas lá tenha esse diálogo.” Dessa forma, o programa tem contribuído para a formação de gestores e para a criação de diversos conselhos municipais com o objetivo de levar a população a participar da tomada de decisões.

Museu virtual

A participação da Unesp de Bauru na recuperação de São Luiz do Paraitinga envolve ainda a criação de um museu virtual, que será disponibilizado no site da universidade. O MHAR (Museu de História e Arte Regional) de São Luiz do Paraitinga vai abrigar um acervo de obras, documentos e estudos sobre a região, além de imagens e informações relativas ao patrimônio histórico da cidade. A aluna Kátia Libànio, do 4º ano de Design, é uma das responsáveis pelo projeto. Para ela, um dos principais pontos desse trabalho é a interdisciplinaridade. “É interessante ver o modo como o pessoal de Arquitetura trabalha, desenvolver o contato entre o Design e a Arquitetura.

Kátia, que já visitou São Luiz do Paraitinga várias vezes por causa do projeto, diz que “é importante interagir com o pessoal de lá, ver como eles tratam as questões culturais. E ver também como são as cores que eles utilizam, as formas da cidade.”

A previsão é que o MAHR de São Luiz do Paraitinga seja colocado no ar entre o fim deste ano e o início do ano que vem.

Bruno Sisdelli

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